
A comunidade de desenvolvimento .NET recebeu hoje um verdadeiro "balde de água fria". A Microsoft anunciou, de forma abrupta, a descontinuação da extensão Polyglot Notebooks para o Visual Studio Code. O aviso prévio foi curto: o suporte termina já no próximo dia 27 de março, deixando os utilizadores com pouco tempo para encontrar alternativas e lançando dúvidas sobre o futuro do projeto .NET Interactive.
Esta decisão implica que, a partir da data anunciada, deixarão de ser lançadas correções de bugs ou novas funcionalidades. Embora a extensão não seja desinstalada automaticamente dos computadores dos utilizadores, a falta de suporte oficial torna a sua utilização arriscada para projetos a longo prazo. O anúncio foi feito de forma discreta numa "issue" no repositório do GitHub, onde a equipa bloqueou rapidamente a conversa, limitando o feedback da comunidade.
Uma recomendação que durou pouco
O momento para esta decisão não poderia ser mais confuso. O Polyglot Notebooks, descrito pela gigante tecnológica como um motor essencial para correr e editar código de forma interativa em várias linguagens, era a solução recomendada para substituir o Azure Data Studio, que também tem a sua reforma marcada para o final deste mês.
Basicamente, os analistas de dados e programadores foram aconselhados a migrar do Azure Data Studio para o Polyglot Notebooks no Visual Studio Code, apenas para descobrirem agora que a "nova casa" também vai ser demolida em poucas semanas. A situação gerou uma onda de críticas, com vários utilizadores a questionarem a lógica por trás desta estratégia de transição que, na prática, deixa muitos profissionais sem uma ferramenta oficial suportada.
Falha de comunicação interna gera revolta
A descoordenação dentro da própria empresa ficou evidente quando se percebeu que nem as equipas de documentação sabiam do fim do projeto. Segundo o relatado pelo The Register, o autor da documentação sobre a reforma do Azure Data Studio foi apanhado de surpresa, admitindo publicamente que teria de remover a recomendação do Polyglot Notebooks para não "induzir os clientes em erro".
Esta falha de comunicação interna é irónica para uma empresa que detém ferramentas de colaboração como o Teams. Para os utilizadores finais, a mensagem que passa é de desorganização e falta de respeito pelo tempo investido na aprendizagem e adaptação às ferramentas sugeridas. Como referiu um utilizador frustrado na plataforma, este episódio é visto como "mais um dia negro para os clientes", onde as decisões de gestão parecem ignorar o impacto real no fluxo de trabalho de quem depende destas tecnologias.










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