
A Ring, empresa de segurança doméstica detida pela Amazon, anunciou o fim da sua parceria com a Flock Safety, fabricante de câmaras de vigilância baseadas em IA. O acordo original, revelado em outubro, pretendia permitir que as imagens captadas pelas campainhas inteligentes fossem partilhadas com autoridades de segurança pública para auxiliar na recolha de provas e em investigações. A decisão foi revelada num comunicado no blogue da empresa, onde a Ring explicou que a integração exigiria significativamente mais tempo e recursos do que o inicialmente previsto.
O motivo do cancelamento e o escrutínio público
Embora a justificação oficial aponte para questões logísticas, este recuo surge num momento de intenso debate sobre a privacidade. Recentemente, a marca transmitiu um anúncio durante o Super Bowl a promover a funcionalidade Search Party, que usa inteligência artificial para encontrar cães perdidos através de uma rede de câmaras da vizinhança. A publicidade gerou controvérsia imediata, com vários espetadores a alertarem para o risco de a tecnologia ser usada para monitorizar seres humanos. Um porta-voz apressou-se a clarificar que o sistema não é capaz de processar biometria humana.
A tecnologia da Flock Safety, contudo, opera de forma semelhante e permite às forças da autoridade realizar pesquisas em linguagem natural nos vídeos para encontrar indivíduos que correspondam a descrições específicas. Esta prática levanta frequentemente questões sobre o agravamento de preconceitos raciais. Segundo uma investigação da 404 Media, a plataforma da Flock já foi acedida por entidades como os Serviços Secretos, a Marinha e o ICE, embora a fabricante negue colaborar explicitamente com as autoridades de imigração.
O histórico de segurança e as alternativas de partilha
Apesar do fim deste acordo específico, a Ring continua a disponibilizar medidas que permitem aos utilizadores partilhar gravações com as autoridades, nomeadamente através da sua parceria com a Axon. Além disso, a empresa lançou em dezembro uma funcionalidade de reconhecimento facial chamada Familiar Faces, concebida para identificar e catalogar visitantes frequentes na residência.
Este tipo de tecnologia continua a ser comercializado numa altura em que os perigos da vigilância em massa estão na ordem do dia nos Estados Unidos, com o ICE a utilizar sistemas semelhantes de reconhecimento facial, impulsionados por empresas como a Clearview AI, para localizar pessoas nos seus esforços de deportação em massa. Vale recordar que o histórico da marca tem sofrido abalos no campo da privacidade, culminando em 2023 com uma ordem da FTC para pagar cerca de 5,3 milhões de euros (5,8 milhões de dólares), após alegações de que funcionários e subcontratados tiveram acesso ilimitado aos vídeos dos clientes durante anos.










Nenhum comentário
Seja o primeiro!