
A plataforma de identificação de chamadas Truecaller anunciou uma nova funcionalidade desenhada para proteger grupos familiares e de amigos contra o crescente número de burlas telefónicas. Com esta novidade, um utilizador pode assumir o papel de administrador de um grupo, receber alertas em tempo real sobre chamadas suspeitas recebidas pelos restantes membros e até mesmo desligar a chamada remotamente se detetar perigo.
A empresa, que conta com mais de 450 milhões de utilizadores, começou a testar a ferramenta em dezembro num grupo restrito de países, incluindo o Chile, Suécia, Malásia e Quénia. Os resultados promissores levaram à decisão de expandir a função a nível global, abrangendo a Índia, que representa o seu maior mercado. A funcionalidade é totalmente gratuita e não exige que os membros tenham uma subscrição paga ativa. Segundo Kunal Dua, diretor de produto da Truecaller, em declarações ao TechCrunch, praticamente todos conhecemos alguém que já foi afetado por fraudes, o que motivou esta mudança estrutural no foco da aplicação para a resolução do problema.
Como funciona a nova proteção no sistema
A nova mecânica permite que a pessoa mais familiarizada com tecnologia crie e gira um grupo com um máximo de cinco membros. Assim que os convites são aceites, o administrador passa a ser notificado sempre que os utilizadores recebem chamadas potencialmente fraudulentas.
A funcionalidade tem contornos diferentes dependendo do sistema operativo. Embora o administrador receba alertas independentemente de o membro usar iOS ou Android, a capacidade de encerrar ativamente a chamada à distância está limitada aos equipamentos com o sistema da Google.
Nos mesmos equipamentos, os membros podem ainda conceder permissões extra para que o responsável pelo grupo consiga ver a sua atividade em tempo real. Isto inclui saber se a pessoa está a caminhar, a conduzir, o nível de bateria ou se o telemóvel está no modo silencioso. A empresa destaca que este nível de monitorização é especialmente útil para acompanhar membros idosos, evitando ligar-lhes enquanto conduzem, por exemplo.

O administrador tem também o poder de bloquear números específicos ou indicativos internacionais para todo o grupo, partilhando uma lista negra comum. Em termos de privacidade, a plataforma garante que o gestor do grupo não tem qualquer acesso ao histórico de chamadas normais ou às mensagens SMS dos restantes membros.
Inteligência artificial e os desafios financeiros
Para o futuro, a Truecaller está a explorar a integração de inteligência artificial para analisar o áudio e desligar chamadas automaticamente se detetar expressões frequentemente usadas em esquemas, como falsas ameaças de prisão digital por parte de criminosos que se fazem passar por agentes da autoridade. No ano passado, a marca já tinha introduzido um assistente de voz que atende e resume chamadas perdidas no mercado indiano, onde foram registadas mais de 7,7 mil milhões de chamadas fraudulentas nesse mesmo período.
Estas fraudes levaram as autoridades indianas a implementar medidas rigorosas, como a vinculação do cartão SIM, uma política controversa que poderá afetar o funcionamento de aplicações de comunicação como o WhatsApp e o Telegram.
Apesar das inovações, a empresa atravessa uma fase financeira complexa. As ações da Truecaller caíram mais de 80% nos últimos 12 meses. No relatório do quarto trimestre de 2025, a marca revelou uma quebra de 49% no EBITDA em termos homólogos, acompanhada por uma descida de 31% nas receitas de publicidade.
A plataforma enfrenta ainda o desafio do novo sistema CNAP na Índia, que passa a mostrar o nome do autor da chamada com base no registo da operadora. Rishit Jhunjhunwala, CEO da Truecaller, desvalorizou o impacto desta medida durante a apresentação de resultados do último trimestre de 2025, afirmando que a simples apresentação do nome não reduz o spam e que a sua plataforma oferece um contexto muito mais aprofundado, podendo as duas soluções coexistir para benefício direto dos consumidores.












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