
A fabricante chinesa BYD continua a sua marcha global e agora tem os olhos postos na América do Norte, mais concretamente no Canadá, para a construção de uma nova fábrica. Para além disso, a empresa não coloca de parte a hipótese de adquirir fabricantes de automóveis tradicionais. A revelação foi feita por Stella Li, vice-presidente executiva da gigante tecnológica asiática, numa entrevista, segundo informações avançadas pela Bloomberg.
Stella Li esclareceu que, embora a empresa esteja a avaliar ativamente o mercado canadiano para instalar uma unidade de produção, ainda não foi tomada nenhuma decisão definitiva. Um ponto crítico nesta equação é o modelo de negócio pretendido: a executiva indicou que a intenção da marca é deter e operar a fábrica de forma totalmente independente, descartando que um modelo de joint venture seja a solução viável.
O desafio canadiano e a estratégia de aquisições
Este desejo de controlo total entra em conflito com a atual abordagem do governo do Canadá, que tem procurado atrair investimento de fabricantes chinesas, mas incentivando a formação de parcerias e joint ventures com empresas locais. Em janeiro, o Canadá concordou em isentar até 49 mil veículos elétricos construídos na China da sua taxa de importação de 100%, num afastamento da política de manter estas fabricantes fora do país. Ao abrigo deste acordo, que troca os automóveis por canola, os veículos ficam sujeitos a uma taxa alfandegária muito mais favorável de 6.1%.
Para além da possível entrada direta no mercado canadiano, Stella Li sublinhou que a fabricante está ativamente aberta a avaliar a compra de empresas automóveis tradicionais. Apesar de não revelar quaisquer alvos específicos nem confirmar que exista um negócio iminente, a executiva frisou que analisam todas as oportunidades para ver o que pode beneficiar a marca. Este tipo de movimento não seria inédito no setor, recordando que a também chinesa Geely adquiriu a Volvo há mais de dez anos.
Europa no horizonte e a entrada na Fórmula 1
Os planos da empresa não se ficam pelo continente americano. A vice-presidente revelou que estão a acelerar o desenvolvimento do seu primeiro polo focado em veículos de passageiros na Europa, sediado na Hungria, estando também a avaliar um segundo projeto na Turquia.
A mesma entrevista trouxe ainda uma revelação de peso para os entusiastas do desporto automóvel. A fabricante está a estudar opções para entrar em competições de alto nível, o que inclui a Fórmula 1. Advertindo que não há qualquer decisão final tomada, Li sugeriu que uma incursão na mais prestigiada série de corridas do mundo estaria em perfeita sintonia com a identidade tecnológica da companhia.
Exportações compensam a quebra no mercado doméstico
Todo este ímpeto de expansão internacional contrasta com alguns desafios no seu país de origem. Em fevereiro, as vendas de viaturas de nova energia fixaram-se nas 190.190 unidades. Este valor reflete uma descida acentuada de 41.09% em comparação com o mesmo período do ano passado, marcando o sexto mês consecutivo de declínio.
Contudo, os mercados estrangeiros continuam a garantir excelentes resultados. Durante o mês de fevereiro, a fabricante exportou 100.600 veículos de nova energia, conseguindo ultrapassar as suas vendas domésticas pela primeira vez. A meta da empresa para 2026 é clara e ambiciosa: atingir a marca de 1.3 milhões de automóveis vendidos no exterior, traduzindo-se num crescimento previsto de cerca de 24%.












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