
A China está a adotar rapidamente a popular ferramenta de inteligência artificial OpenClaw. Nas últimas semanas, grandes empresas tecnológicas e até governos locais têm-se apressado a expandir o acesso a este agente de código aberto, conhecido pelo seu tema focado em lagostas. Segundo avança a CNBC, a utilização da ferramenta no mercado chinês já ultrapassou a dos Estados Unidos, de acordo com dados revelados pela empresa de cibersegurança SecurityScorecard.
Os agentes virtuais, como o OpenClaw, são assistentes digitais capazes de lidar com tarefas práticas, como o envio de e-mails, o agendamento de reuniões e a reserva de mesas em restaurantes, requerendo o mínimo de intervenção humana. Ao contrário dos chatbots tradicionais, que apenas respondem a comandos textuais, estes agentes tomam ações proativas. Esta característica exige um acesso mais amplo a dados e sistemas de terceiros, levantando naturais questões de segurança e privacidade.
O papel das gigantes tecnológicas na expansão
Com a economia a enfrentar alguns desafios, as tecnológicas locais viram no OpenClaw uma oportunidade de captar novos utilizadores. A Tencent anunciou o lançamento de um conjunto completo de produtos baseados no agente, que batizou de "forças especiais lagosta", garantindo compatibilidade total com a sua super aplicação WeChat. No mesmo dia, a startup Zhipu AI disponibilizou a sua própria versão local da ferramenta, oferecendo um agente pré-instalado com mais de 50 capacidades através de uma instalação de apenas um clique.
Sendo o processo de instalação original considerado complexo para utilizadores sem conhecimentos técnicos, várias empresas estão a criar soluções para simplificar o acesso. A unidade de nuvem da ByteDance, a Volcano Engine, revelou o 'ArkClaw', uma versão que corre diretamente no navegador e elimina a necessidade de configurações locais.
A par das soluções de software, a Tencent organizou sessões presenciais gratuitas em Shenzhen para ajudar centenas de pessoas a configurar a ferramenta na TencentCloud. A JD.com seguiu o mesmo percurso e lançou uma página dedicada onde cobra 399 yuan (cerca de 55 euros) por assistência remota da equipa de manutenção da Lenovo, a Baiying, para instalar o sistema, havendo relatos de uma parceria semelhante fechada pela Meituan.
O impacto nos modelos locais e os apoios estatais
A febre nacional em torno do OpenClaw também impulsionou a utilização dos grandes modelos de linguagem desenvolvidos na China. Sendo agnóstico em relação ao motor de base, o agente pode integrar-se com sistemas como o ChatGPT da OpenAI ou o Claude da Anthropic. Contudo, dados da OpenRouter mostram que os três modelos mais usados para o OpenClaw no último mês pertencem a empresas chinesas, registando o dobro da utilização combinada do Google Gemini e do Anthropic Claude. Esta preferência é justificada pelo facto de as alternativas asiáticas já oferecerem um desempenho semelhante ao dos rivais norte-americanos, mas por uma fração do preço.
No campo do hardware dedicado à inteligência artificial, a febre está a mudar as estratégias empresariais. A Violoop, uma startup sediada em Shenzhen, prepara o lançamento de um dispositivo no Kickstarter em abril, por cerca de 280 euros e uma subscrição mensal em torno dos 28 euros. Jaylen He, CEO da empresa, referiu que o plano original era focar o produto no mercado internacional, mas a recetividade dos chineses face a estas tecnologias fez com que um lançamento nacional passasse também a estar em cima da mesa.
O entusiasmo contagiou igualmente as autoridades locais, que ignoraram os avisos dos meios de comunicação estatais sobre potenciais riscos de segurança. Em distritos como Longgang, em Shenzhen, e na zona de desenvolvimento de Hefei, foram propostos financiamentos de até 10 milhões de yuan (cerca de 1,35 milhões de euros) e subsídios diretos para "empresas de uma só pessoa" que construam os seus negócios em torno do OpenClaw. Um distrito de Suzhou chega a oferecer 30 dias gratuitos de espaço de escritório, alojamento e refeições para atrair estes empreendedores solitários.
Lançado originalmente em novembro pelo programador austríaco Peter Steinberger, que se juntou à equipa da OpenAI em meados de fevereiro, a plataforma continua a quebrar barreiras. Um indicador claro do seu sucesso a nível global é a sua popularidade no GitHub, onde o projeto do agente já reuniu mais estrelas de aprovação do que o próprio Linux, o sistema operativo de código aberto que serve de alicerce à maioria dos servidores atuais.












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