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fábrica da Tesla

O ano de 2026 não começou da melhor forma para a Tesla no maior mercado automóvel do mundo. Segundo os dados mais recentes, as vendas domésticas da fabricante norte-americana na China sofreram uma queda abrupta de 45% em janeiro, comparativamente ao mesmo período do ano anterior.

Com apenas 18.485 unidades vendidas a clientes locais, este representa o valor mensal mais baixo registado pela marca no país desde novembro de 2022. Os números, divulgados pela China Passenger Car Association (CPCA), pintam um cenário preocupante para a procura dos veículos de Elon Musk, especialmente quando comparados com o mês recorde de dezembro de 2025, o que representa uma descida vertiginosa de 80% de um mês para o outro.

Números que escondem a realidade

À primeira vista, os dados de produção da Gigafactory de Xangai podem parecer positivos, com um total de 69.129 unidades a saírem da fábrica em janeiro (um aumento de 9,3% em relação ao ano anterior). No entanto, uma análise mais detalhada revela uma mudança estratégica forçada: a grande maioria destes veículos não ficou na China.

Dos quase 70 mil carros produzidos, 50.644 foram destinados à exportação, o que significa que 73% da produção de Xangai foi enviada para outros mercados. Isto contrasta fortemente com o cenário de janeiro de 2024, onde apenas cerca de 44% da produção era exportada. A fábrica chinesa da Tesla está, cada vez mais, a funcionar como um centro de exportação global em vez de alimentar a procura interna, que dá sinais claros de abrandamento.

Xiaomi assume a liderança e deixa a Tesla para trás

O cenário competitivo agravou-se substancialmente para a marca americana. O outrora dominante Model Y caiu para a 20.ª posição no ranking de vendas de veículos de passageiros na China em janeiro. O lugar cimeiro foi conquistado pela Xiaomi, com o seu modelo YU7 a registar 37.869 unidades vendidas — mais do dobro de todo o volume de retalho da Tesla no país durante o mesmo mês.

A situação não é melhor para o Model 3. O sedan da Tesla, que entregou cerca de 8.000 unidades, foi largamente ultrapassado pelo SU7 da gigante tecnológica chinesa, que superou as 22.000 entregas em janeiro.

O peso dos impostos e de uma frota envelhecida

Vários fatores contribuíram para este "colapso" em janeiro, conforme detalhado pelo Electrek. O principal motivo prende-se com o fim da isenção fiscal: dezembro de 2025 foi um mês histórico de vendas porque os consumidores correram para comprar carros antes da reintrodução de uma taxa de 5% sobre Veículos de Nova Energia (NEV), que entrou em vigor a 1 de janeiro de 2026.

Além disso, o mercado chinês de elétricos sofreu uma contração geral de 20% no início do ano. Até a gigante BYD viu as suas vendas caírem 30% em termos homólogos, embora tenha conseguido movimentar mais de 210.000 unidades, mantendo-se num patamar muito superior ao da Tesla.

No entanto, o problema estrutural persiste: a Tesla continua a depender de dois modelos que começam a mostrar a idade, num mercado onde os rivais locais lançam novidades tecnológicas a um ritmo frenético e a preços extremamente agressivos. Nem mesmo as recentes campanhas de financiamento a 0% parecem ser suficientes para travar a sangria de quota de mercado, que caiu de 10% em 2024 para apenas 8% em 2025.

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