
O estado do Texas, nos Estados Unidos, avançou com um processo judicial contra a gigante das redes TP-Link. O Procurador-Geral Ken Paxton acusa a empresa de enganar os consumidores ao promover os seus equipamentos como seguros, quando, na verdade, terão permitido que piratas informáticos apoiados pelo governo chinês explorassem vulnerabilidades de firmware para aceder a dispositivos dos utilizadores.
Suspeitas sobre a origem dos componentes e espionagem
A investigação, que teve início em outubro, sustenta que a marca terá induzido os compradores em erro ao rotular os seus produtos com a indicação "Made in Vietnam", quando quase todos os componentes são de origem chinesa. Esta distinção é considerada fundamental pelas autoridades texanas, uma vez que a lei da China pode obrigar empresas com ligações à cadeia de abastecimento local a cooperar com pedidos de inteligência governamental e a entregar dados privados.
Segundo o Procurador-Geral, esta "decepção deliberada" não é apenas uma prática ilegal, mas constitui também uma ameaça à segurança nacional, facilitando a vigilância secreta e a exploração de dados dos consumidores. O processo visa forçar a empresa a revelar a origem real dos seus dispositivos e a interromper a recolha de informações sem consentimento informado, além do pagamento de sanções monetárias civis.
Falhas de segurança e ligações a ataques informáticos
O processo judicial destaca um histórico de incidentes em que o firmware da marca foi alvo de grupos de pirataria. Um dos casos mais graves refere-se à criação de uma botnet de grande escala, composta por routers domésticos e de pequenas empresas (maioritariamente equipamentos da TP-Link), utilizada em ataques de roubo de credenciais.
Embora a TP-Link tenha afirmado que as alegações "não têm mérito" e que o governo chinês não exerce controlo sobre a empresa ou os dados dos utilizadores — assegurando que as informações dos clientes nos EUA são armazenadas em servidores da Amazon Web Services —, agências federais continuam a emitir alertas. A CISA mantém várias vulnerabilidades da marca no seu catálogo de falhas ativamente exploradas em ataques informáticos.
Esta ação do Texas surge num contexto de maior escrutínio sobre a tecnologia vinda do estrangeiro. Recentemente, a justiça texana também visou fabricantes como a Sony e a Samsung devido à recolha ilegal de dados através de tecnologias de reconhecimento de conteúdos, tal como detalhado no documento judicial oficial.












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