
A Sony Interactive Entertainment confirmou a intenção de rentabilizar a sua base instalada de jogadores para fazer face aos custos crescentes dos componentes de memória. Esta subida acentuada de preços foi impulsionada pela crise global de semicondutores. Durante a apresentação de resultados em fevereiro de 2026, Lin Tao, a diretora financeira da empresa, revelou que o objetivo passa por minimizar o impacto do custo do hardware para o consumidor, dando prioridade absoluta às receitas provenientes de software e serviços de rede.
O fenómeno RAMmageddon e o mercado de hardware
O setor tecnológico atravessa um período que os analistas batizaram de RAMmageddon. Neste cenário atual, a produção de chips de memória foi redirecionada para os centros de dados dedicados à inteligência artificial, o que resultou na quadruplicação do custo dos módulos DRAM e NAND. De acordo com Lin Tao, a marca já assegurou o stock mínimo de memória necessário para manter a produção da PlayStation 5 ao longo do ano fiscal de 2026, mas o aumento contínuo dos custos obriga a um ajuste flexível na estratégia de vendas.
Esta crise afeta de forma visível todo o mercado global de hardware. A consola portátil Steam Deck encontra-se indisponível nos Estados Unidos devido à escassez de memórias LPDDR5X, enquanto dispositivos concorrentes como o ROG Ally X já registaram aumentos de preço no Japão. Além disso, rumores internos sugerem que o lançamento da PlayStation 6, inicialmente planeado para 2027, pode ter sido adiado para 2028 ou 2029, visando aguardar por uma estabilização no mercado de fornecimentos.
Ecossistema digital como motor de rentabilidade
Para evitar uma nova subida no preço da consola, que já sofreu aumentos em mercados selecionados durante o último ano, a empresa sinalizou que o foco recai agora sobre o ecossistema digital. Embora a diretora financeira não tenha mencionado diretamente o PlayStation Plus, os especialistas do setor indicam que um aumento no valor das assinaturas ou a introdução de novos níveis de serviço é iminente. Tendo em conta que os planos anuais mais completos rondam atualmente o equivalente a 130 euros (convertido de mercados internacionais), novos ajustes surgem como a via principal para manter a rentabilidade da divisão de videojogos.
Esta mudança de postura reflete uma tendência de rentabilização agressiva dos serviços para sustentar hardware com margens cada vez mais reduzidas. Além de eventuais aumentos no serviço por subscrição, a fabricante estuda a elevação do preço dos títulos originais e a expansão das microtransações nos seus videojogos como serviço.
A decisão de não aumentar o preço do equipamento funciona como uma manobra de retenção do público num momento de incerteza económica, transferindo de forma indireta o custo da crise para os serviços recorrentes. O investimento inicial na consola mantém-se fixo, mas o custo total de propriedade para o jogador aumentará através da aquisição de software e subscrições, tornando a PlayStation 5 no ponto de entrada para um ecossistema progressivamente mais oneroso, conforme detalhado no documento oficial de resultados da Sony.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!