
Há três anos, quando a tecnologia generativa começou a ganhar popularidade entre o público, os professores declararam guerra a estas ferramentas, uma vez que os alunos as utilizavam para escrever trabalhos e contornar as regras escolares. Avançando para o presente, o cenário inverteu-se por completo. Hoje em dia, os educadores têm à sua disposição uma vasta gama de ferramentas baseadas em IA para os auxiliar na educação das gerações mais novas.
A mais recente aposta para este setor chega pelas mãos da Google, que disponibilizou uma nova função no Google Classroom. Esta novidade ajuda os professores a gerar comentários personalizados sobre os trabalhos escritos pelos alunos. A funcionalidade é alimentada pelo assistente Gemini e faz parte do esforço contínuo da empresa para aumentar a presença destas tecnologias nas salas de aula.
Como funciona a ajuda na avaliação
Os professores podem agora utilizar esta ferramenta para gerar notas de revisão com base no nível de escolaridade dos alunos e noutros detalhes específicos. Ao aceder à secção de comentários privados de um trabalho, o educador clica na opção para o ajudar a escrever, define o nível escolar pretendido e, opcionalmente, adiciona uma área de foco, como a gramática ou a força da argumentação. O sistema analisa então a submissão do aluno e gera rascunhos com sugestões de melhoria que os docentes podem publicar.
É fundamental ter em conta que não se trata de um avaliador automático. O assistente serve apenas para fornecer comentários, mantendo o professor no controlo absoluto da nota final e da mensagem transmitida. No entanto, sabendo que as ferramentas digitais produzem sempre um resultado, independentemente da qualidade da introdução, os docentes terão de usar esta função com cautela. Caso contrário, correm o risco de fornecer indicações irrealistas aos alunos e acabar por ter mais trabalho a limpar sugestões desadequadas.
Disponibilidade e questões na comunidade
A funcionalidade está já disponível nos domínios de lançamento rápido e agendado, com uma distribuição gradual ao longo dos próximos 15 dias. Para já, a novidade está limitada a educadores falantes de língua inglesa com 18 ou mais anos, o que garante que os alunos não têm acesso direto à ferramenta. Embora o serviço base do Google Classroom seja gratuito, esta opção de comentários sugeridos está restrita aos subscritores do plano Google Workspace for Education Plus e aos detentores do extra de ensino e aprendizagem.
Será interessante observar como esta característica se comporta em cenários reais com trabalhos de alunos verdadeiros, especialmente se algumas dessas entregas também tiverem sido geradas ou auxiliadas por sistemas automatizados. Fica a dúvida se um sistema vai favorecer o resultado de outro, ou se a calibração foi feita no sentido oposto. Resta também perceber qual será a reação inicial dos pais ao descobrirem que os trabalhos dos seus filhos estão a ser avaliados com apoio tecnológico, segundo a informação partilhada no Google Workspace Blog.












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