
A editora e produtora independente Finji lançou graves acusações contra o TikTok, afirmando que a plataforma utilizou inteligência artificial generativa para alterar campanhas publicitárias dos seus títulos sem qualquer tipo de conhecimento ou autorização prévia. A empresa, conhecida por sucessos como Night in the Woods e Tunic, apenas se apercebeu da situação após ser alertada por seguidores na sua conta oficial.
De acordo com a investigação avançada pelo portal IGN, a Finji alega que um dos anúncios partilhados na rede social foi manipulado para exibir uma representação racista e sexualizada de uma personagem de um dos seus jogos. A situação gerou choque interno, levando a diretora executiva e cofundadora, Rebekah Saltsman, a confrontar diretamente a plataforma para obter explicações.
O impacto das ferramentas automatizadas nas campanhas
Embora a produtora invista em publicidade na plataforma de vídeos, os responsáveis garantem que todas as opções relacionadas com a IA estavam rigorosamente desativadas. Ferramentas como o Smart Creative e o Automate Creative, que modificam criatividades para otimizar o desempenho visual e sonoro, não tinham permissão para atuar sobre os conteúdos da Finji.
Ainda assim, anúncios modificados sob a forma de apresentação de diapositivos começaram a circular como se fossem oficiais. O caso mais grave envolveu a protagonista do jogo Usual June. A imagem gerada mostrava a personagem com a parte inferior de um biquíni, proporções corporais irrealistas nas ancas e coxas, e botas acima do joelho, uma representação que em nada corresponde ao design autêntico do título.
A justificação e o impasse na resolução
A resposta inicial da rede social esteve longe de acalmar os ânimos. Numa primeira fase, a equipa de suporte afirmou não encontrar provas de que estivessem a ser utilizados recursos gerados por inteligência artificial, apesar de a Finji ter fornecido capturas de ecrã evidentes da adulteração. Apenas após alguma insistência é que a plataforma reconheceu as provas, garantindo que o assunto seria alvo de uma investigação interna profunda.
Mais tarde, a justificação apresentada prendeu-se com o uso de um formato de anúncios de catálogo, concebido para demonstrar os benefícios de combinar diferentes elementos em campanhas de vendas. A empresa admitiu que a situação levantava problemas significativos, incluindo a sexualização de personagens e os danos comerciais e de reputação causados ao estúdio, mas não ofereceu uma solução direta para o conteúdo nocivo gerado por uma iniciativa na qual a Finji foi incluída sem o seu conhecimento.
O processo acabou por não ser escalado para instâncias superiores, deixando a produtora sem garantias concretas. Rebekah Saltsman expressou o seu choque perante a ausência de uma resposta adequada e de um pedido de desculpas formal por parte da plataforma, sublinhando que não tem grandes esperanças de que a situação seja devidamente retificada de forma proativa para o futuro.












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