
A recente falha nos serviços da Amazon Web Services (AWS), que se prolongou por 13 horas, teve uma origem inesperada: uma das ferramentas de inteligência artificial da própria empresa. O incidente ocorreu em dezembro, depois de os engenheiros terem utilizado a ferramenta de código Kiro para efetuar algumas alterações.
O bot que decidiu apagar o sistema
O Kiro é descrito como uma ferramenta com capacidade de agência, o que significa que consegue realizar ações de forma autónoma em nome dos utilizadores. Neste caso específico, o bot terá determinado que precisava de apagar e recriar o ambiente. Esta decisão autónoma foi o que alegadamente resultou na extensa falha de serviço, que afetou de forma mais significativa a região da China.
Erro humano ou falha da inteligência artificial?
A Amazon já veio a público desvalorizar o papel do bot, afirmando que foi uma mera coincidência as ferramentas de inteligência artificial estarem envolvidas. A gigante tecnológica atribui a culpa a um erro humano e não a uma falha da IA, sublinhando que o mesmo problema poderia ter acontecido com qualquer outra ferramenta de desenvolvimento ou ação manual.
A empresa explicou ainda que, por predefinição, o Kiro solicita autorização antes de executar qualquer tarefa. Contudo, o funcionário envolvido no incidente de dezembro possuía permissões mais alargadas do que o esperado. Segundo a tecnológica, tratou-se de um problema de controlo de acessos dos utilizadores e não de um excesso de autonomia da IA.
Um histórico de interrupções recentes
Apesar das justificações oficiais, vários trabalhadores da empresa revelaram que esta é pelo menos a segunda vez, em meses recentes, que as ferramentas de inteligência artificial da marca estão no centro de perturbações no serviço. Lançado em julho, o Kiro tem sido fortemente impulsionado pela liderança, que estabeleceu um objetivo de utilização semanal de 80% entre os funcionários, além de comercializar o acesso à ferramenta através de uma subscrição mensal.
Estes eventos recentes juntam-se a um incidente mais grave ocorrido em outubro, quando uma paragem de 15 horas da AWS afetou serviços como a Alexa, o Snapchat, o Fortnite e o Venmo. Na altura, a culpa foi atribuída a um bug no software de automação, segundo a informação avançada pela reportagem do Financial Times.












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