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A Micron confirmou a sua saída do segmento de memórias para o consumidor comum, uma decisão que coloca um ponto final nos produtos comercializados sob a conhecida marca Crucial. A empresa partilhou a decisão em dezembro de 2025, explicando que vai descontinuar gradualmente a produção de memória RAM, unidades SSD e cartões de memória para o mercado doméstico até ao início de 2026.

De acordo com os relatos partilhados, a fabricante pretende redirecionar a sua capacidade de produção para os segmentos empresariais, que são consideravelmente mais lucrativos. O principal foco passa a ser a infraestrutura de inteligência artificial e o hardware para centros de dados, áreas que oferecem margens de lucro muito superiores quando comparadas com o armazenamento tradicional.

O adeus à marca Crucial e o foco nas empresas

A Crucial tem sido, durante largos anos, um dos nomes mais reconhecidos por quem procura fazer atualizações aos seus computadores, especialmente na compra de memória RAM e unidades SSD. Com o afastamento da Micron, o mercado de consumo perde um dos seus maiores fornecedores diretos.

Os sistemas avançados requerem quantidades massivas de memória, em particular nos servidores e aceleradores de IA. Como apenas um número reduzido de empresas consegue produzir estes chips em grande escala, os fornecedores estão a dar prioridade a estes clientes em detrimento do hardware de consumo.

O mercado global de memória DRAM é altamente concentrado. A Samsung, a SK Hynix e a Micron controlam, em conjunto, mais de 90% do fornecimento mundial. Quando uma destas gigantes desvia a sua capacidade de produção dos produtos de consumo, a disponibilidade geral diminui rapidamente, afetando de imediato os preços e os stocks de telemóveis, computadores e outros equipamentos eletrónicos.

Apple aceita aumentos drásticos para garantir componentes

As recentes negociações entre duas gigantes da tecnologia ilustram bem a gravidade da situação. A Samsung iniciou conversações para o fornecimento de memória LPDDR5X com uma proposta de aumento de preço na ordem dos 100%. A expectativa interna da fabricante sul-coreana era que a parceira tentasse negociar este valor para um aumento de cerca de 60%.

No entanto, a Apple aceitou o aumento total de forma imediata. O custo de um módulo de 12 GB terá passado de cerca de 28 euros (30 dólares) para aproximadamente 65 euros (70 dólares). Esta postura compreende-se pelo facto de a empresa de Cupertino adquirir entre 60 a 70% da memória dos seus iPhone à Samsung, o que deixa pouca margem de manobra num mercado com escassez de oferta.

A saída da Micron do segmento de consumo adiciona uma pressão extra a um mercado que já se encontrava limitado. Os efeitos já são visíveis nas negociações de preços e no planeamento das fabricantes de telemóveis e computadores. A continuar este ritmo, o mercado de memórias pode permanecer bastante limitado durante os próximos anos, conforme detalhado no artigo do portal Financial Content.

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