
A inteligência artificial continua a moldar a forma como interagimos com a tecnologia, e agora os trabalhadores independentes nos Estados Unidos estão a encontrar uma nova forma de rendimento através dessa evolução. Segundo informações avançadas pelo TechSpot, empresas como a Instawork estão a pagar a freelancers para gravarem vídeos de si próprios a realizar tarefas domésticas comuns, com o objetivo de treinar a nova geração de robôs dotados de IA.
Ganhar dinheiro a limpar a casa
O conceito é bastante simples e direto. A Instawork tem distribuído suportes de cabeça para telemóveis em várias cafetarias, incentivando os interessados a participar neste trabalho temporário. O pagamento ronda os 80 dólares (cerca de 75 euros) por cada duas horas de vídeo gravado. As atividades pedidas não exigem qualificações técnicas, focando-se em ações rotineiras do dia a dia, como cozinhar, arrumar ou limpar o espaço de habitação.
Esta recolha de dados visuais em primeira pessoa é essencial para ensinar os robôs humanoides a interagirem com ambientes domésticos de forma mais natural e precisa. Ao contrário dos sistemas mecânicos que apenas movem pacotes em armazéns de logística, estas novas máquinas precisam de compreender a imprevisibilidade de uma casa humana e adaptar os seus movimentos à variedade dos diferentes ângulos de câmara captados.
A perspetiva de quem filma
Para muitos prestadores de serviços autónomos, esta é uma oportunidade atrativa para obter um rendimento extra. Salvador Arciga, um dos trabalhadores que aceitou a proposta, descreve a experiência como sendo bastante confortável e com um toque futurista. Apesar da facilidade da tarefa, a iniciativa levanta algumas questões morais entre os próprios participantes. Existe o sentimento de culpa de que, ao fornecerem estes dados para treino, estão a contribuir diretamente para a criação de máquinas que vão acabar por substituir milhões de postos de trabalho no mercado.
Contudo, a visão partilhada por quem filma é a de que o avanço da robótica avança a um ritmo impossível de travar. As empresas do setor continuam a precisar de uma quantidade massiva de vídeos com interações humanas reais para aperfeiçoar os seus modelos. Com isso, transformam as lides mais básicas e aborrecidas num negócio lucrativo para quem estiver disposto a partilhar a sua rotina diária em frente às lentes de um telemóvel.












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