
A Niantic Spatial, empresa que nasceu da separação da criadora do Pokémon GO, assinou uma aliança com a Coco Robotics a 10 de março para vender dados visuais recolhidos por milhões de jogadores ao longo dos anos. O objetivo passa por ajudar as máquinas de entrega a navegarem em ambientes urbanos complexos onde o sinal de GPS tradicional costuma falhar. Conforme avançado pela Niantic Spatial, a famosa aplicação de telemóvel acabou por servir como uma ferramenta global e gratuita de mapeamento.
Como os monstros virtuais mapearam o mundo real
Se andaste pelas ruas a caçar criaturas virtuais, podes ter contribuído para um sistema de posicionamento visual massivo. Esta tecnologia não depende apenas de satélites, reconhecendo fachadas, esquinas e monumentos para criar um modelo geoespacial gigante. Os dados oficiais indicam que o sistema se baseia em mais de 30 mil milhões de imagens de diversas localizações. A empresa clarificou, num relatório técnico de novembro de 2024, que o simples ato de caminhar a jogar não serve para treinar a sua inteligência artificial.
A recolha destas informações foi feita essencialmente através dos escaneamentos em 3D opcionais de locais públicos, uma funcionalidade introduzida em maio de 2020. Na altura, a justificação dada aos utilizadores focava-se na melhoria das experiências de realidade aumentada do próprio jogo. No entanto, a política de privacidade sempre acautelou a possibilidade de partilha destas gravações de forma pseudonimizada com terceiros para a construção de mapas tridimensionais.
A divisão do negócio e os novos estafetas autónomos
O destino desta imensa base de dados mudou de forma drástica em 2025, altura em que o jogo e a tecnologia seguiram caminhos independentes. A Scopely assumiu o controlo da componente de entretenimento, enquanto a Niantic Spatial reteve o valioso catálogo de mapeamento 3D e posicionamento. É precisamente este tesouro de informação urbana que agora vai alimentar a nova geração de robôs de entrega.
A Coco Robotics, que apresentou a sua máquina Coco 2 no final de fevereiro, será a grande beneficiada. A integração do sistema visual vai permitir que os veículos autónomos naveguem por passeios e ciclovias com uma precisão muito superior, resolvendo o velho problema de perda de localização entre edifícios altos e agilizando todo o processo de entrega nas cidades.












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