
A integração da inteligência artificial no desenvolvimento de videojogos acaba de fazer mais uma vítima. Max Hejtmánek, editor e tradutor responsável pela versão em inglês de Kingdom Come: Deliverance 2, foi despedido pela Warhorse Studios, que planeia automatizar todo o processo de localização. A denúncia foi feita pelo próprio através de uma publicação no Reddit, onde revelou que a sua saída foi comunicada a 27 de março, sem qualquer aviso prévio.
A identidade do ex-colaborador e a veracidade da sua publicação foram confirmadas pela moderação do fórum e pelo seu perfil profissional. O nome de Hejtmánek figura nos créditos oficiais do jogo, bem como em bases de dados conceituadas da indústria, evidenciando o seu papel central na direção de voz e edição do guião. A justificação dada pela empresa foi que o cargo se tornaria obsoleto a partir do mês seguinte, marcando uma transição total para ferramentas de geração de texto nas traduções futuras.
O impacto da automação na narrativa dos videojogos
A controvérsia surge numa altura em que figuras de destaque da produtora, como o cofundador Daniel Vávra, têm vindo a defender publicamente o uso de tecnologias avançadas, incluindo o sistema NVIDIA DLSS 5. Embora a recriação gráfica e a tradução literária sejam campos distintos, a postura da administração já sugeria uma forte inclinação para a expansão destas ferramentas no ciclo de produção. O caso ganha contornos mais sensíveis pelo facto de o título ser um RPG onde a imersão, a escrita e o rigor histórico são pilares fundamentais para o sucesso, tendo a obra ultrapassado os cinco milhões de unidades vendidas no seu ano de estreia.
A resistência da indústria e as novas regras
A substituição de talento humano por algoritmos a um custo residual levanta questões sobre a preservação da identidade narrativa das obras. De acordo com o relatório da GDC de 2025 sobre o estado da indústria, mais de metade dos programadores operam em empresas que já integram este tipo de geração de conteúdos. No entanto, a rejeição interna está a aumentar, com cerca de trinta por cento dos profissionais a manifestarem uma visão negativa sobre o tema, numa fase em que os papéis criativos e narrativos continuam a ser os mais fustigados por cortes de pessoal. Perante este cenário de mudança, plataformas como a Steam já exigem que os estúdios declarem formalmente qualquer utilização de ativos gerados por estas vias, procurando estabelecer um limite entre a produtividade e a transparência criativa.












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