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banco digital

O banco britânico Standard Chartered vai reduzir a sua equipa em mais de 7000 postos de trabalho até 2030 para acelerar a integração tecnológica, de acordo com informações avançadas pela Reuters. Esta reestruturação visa automatizar as operações internas, reduzir a burocracia corporativa e aumentar substancialmente a rentabilidade da instituição.

A substituição do fator humano

Atualmente com cerca de 82 mil trabalhadores a nível global, o banco prepara-se para eliminar aproximadamente 15% das posições ligadas às funções corporativas centrais. Bill Winters, o diretor executivo da instituição, justificou a medida de forma bastante frontal. Segundo o responsável, a decisão não deve ser interpretada como um simples corte de despesas operacionais, mas sim como uma substituição intencional do que classificou como capital humano de menor valor acrescentado por novos investimentos tecnológicos.

Na prática, isto significa que um grande volume de tarefas administrativas, de suporte e altamente repetitivas vai passar a ser gerido exclusivamente por sistemas de IA. Embora a entidade financeira refira que alguns membros da equipa terão a oportunidade de receber formação para outras áreas, as declarações marcam uma mudança agressiva na forma como a banca tradicional passa a olhar para a sua estrutura humana.

Os processos que passam para as máquinas

Nesta fase, os clientes comuns não vão notar grandes alterações, uma vez que o foco principal não é o atendimento direto nas agências. A redução vai incidir sobretudo nos bastidores da operação diária. Departamentos encarregues da análise de risco, cumprimento de normativas, sistemas internos e gestão documental massiva serão as principais áreas afetadas por esta transição tecnológica.

O caminho para esta realidade já estava a ser preparado. Em 2025, a empresa implementou o SC GPT, uma plataforma baseada em inteligência artificial generativa que foi disponibilizada em 41 países para ajudar quase 70 mil trabalhadores. O sistema já era utilizado para automatizar o processamento de documentação de financiamentos, detetar erros em transferências e simular cenários de liquidez financeira.

Uma rentabilidade impulsionada pela tecnologia

Todo este movimento faz parte de uma estratégia estrutural para elevar os resultados da empresa na reta final da década. A meta estabelecida aponta para uma rentabilidade sobre o capital tangível de 15% em 2028, com o objetivo de tocar nos 18% em 2030. Os números parecem dar força a esta visão: no primeiro trimestre de 2026, a instituição registou receitas na ordem dos 5900 milhões de dólares (cerca de 5450 milhões de euros), o que reflete um crescimento de 9%, enquanto os gastos da empresa subiram uns meros 1%.

Esta não é uma decisão isolada no mercado financeiro, mas sim o acentuar de uma tendência global. Projeções de 2025 já alertavam que os grandes bancos mundiais poderiam cortar até 200 mil postos de trabalho num prazo de cinco anos devido à evolução tecnológica, com o Citigroup, por exemplo, a anunciar em 2024 o fecho de 20 mil vagas até este ano. No entanto, o anúncio do Standard Chartered destaca-se por assumir sem hesitações que a tecnologia deixou de ser uma mera ferramenta de apoio para se tornar na justificação central para reconfigurar a força de trabalho das grandes empresas.

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