
O mundo empresarial está cada vez mais interligado, e os cibercriminosos sabem bem disso. Um novo estudo global publicado pela Kaspersky revela que os ataques à cadeia de abastecimento tornaram-se a ameaça informática mais comum no último ano. Quase uma em cada três empresas foi alvo deste tipo de investida nos últimos doze meses, com países como o México, a China e a Espanha a registarem taxas de exposição superiores à média global.
O perigo das ligações externas
Quando pensamos em cibersegurança, imaginamos frequentemente piratas informáticos a tentar invadir diretamente os servidores de uma organização. No entanto, os dados do Fórum Económico Mundial indicam que 65% das grandes companhias veem as vulnerabilidades de parceiros externos como o seu maior obstáculo à resiliência digital. A investigação procurou perceber a fundo esta realidade, e os números são claros: 31% das grandes organizações sofreram com incidentes na sua rede de parceiros, um valor que atinge os 36% quando analisamos especificamente o grupo das empresas de maior dimensão.
O problema agrava-se com a complexidade das operações modernas. Em média, uma grande empresa gere cerca de cem fornecedores de hardware e software, além de conceder acesso aos seus sistemas a mais de 130 prestadores de serviços externos. Esta vasta teia de dependências abre portas para os chamados ataques a relações de confiança, onde os atacantes aproveitam os elos legítimos entre organizações para se infiltrarem. Este vetor específico afetou 25% das entidades a nível mundial, destacando-se a Turquia, Singapura e o México com as maiores taxas de incidência.
A ilusão da segurança e o cenário em Portugal
Apesar da frequência alarmante destas investidas, muitos líderes continuam a subestimar o perigo. O relatório aponta que apenas 9% das organizações classificam a cadeia de abastecimento como a sua preocupação central, prestando muito mais atenção a ameaças mediáticas como o ransomware ou a ameaças internas. É uma discrepância notória, considerando que mais de metade dos inquiridos reconhece que uma falha num parceiro pode interromper e paralisar totalmente o seu negócio.
Olhando para o cenário nacional, onde o tecido é amplamente dominado por pequenas e médias empresas, a dependência de serviços externos é crítica em setores estruturantes como a energia, a banca, as telecomunicações e a administração pública. Com a adoção acelerada de soluções na nuvem e a pressão de exigências legais como a diretiva NIS2, um incidente num único fornecedor pode ter um efeito dominó severo no mercado português. Como alerta Sergey Soldatov, responsável pelo Security Operations Center da entidade responsável pelo estudo, o ecossistema moderno exige que cada parceiro e integração tecnológica passe a ser visto como uma extensão do próprio perfil de segurança da companhia. Para evitar paralisações desastrosas, as empresas precisam de garantir defesas que vão muito além das suas próprias paredes.












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