
A memória RAM DDR4 parece estar finalmente a dar tréguas aos consumidores, registando uma descida de cerca de 5% no seu valor. Esta quebra surge após um período conturbado em que os preços dispararam de forma impressionante, chegando a registar aumentos na ordem dos 2200%, impulsionados sobretudo pelas prioridades estratégicas das grandes fabricantes do setor.
De acordo com as informações avançadas pelo DigiTimes, o preço atual dos chips de memória DDR4 de 16 Gb situa-se agora em torno dos 68 euros, contrastando com os chips DDR5 equivalentes que rondam os 34 euros. A discrepância de valores explica-se facilmente: a indústria direcionou a sua produção quase em exclusivo para servidores e centros de dados focados em inteligência artificial, o que acabou por encarecer o hardware mais antigo para os consumidores de forma a maximizar as margens de lucro.
Excesso de stock obriga a ajustes no mercado
A inversão desta tendência ascendente deve-se essencialmente à acumulação de material nos armazéns. Com os consumidores a adiarem as compras devido aos valores proibitivos, a oferta acabou por superar largamente a procura. Para evitar perdas maiores com o capital retido, os fornecedores viram-se forçados a sacrificar os lucros e a baixar os preços para conseguir escoar o material. No entanto, marcas que produzem computadores pré-montados continuam reféns deste mercado e têm de adquirir estes componentes para manter as suas linhas de montagem ativas.
A consultora TrendForce já tinha alertado no início de abril para a fraca adesão a estes componentes. Na segunda semana do mês, registou-se uma nova quebra semanal de 1,18% nos chips DDR4 a 3200 MT/s, um sinal claro de que os distribuidores começaram a libertar os seus inventários para garantir liquidez, receando uma desvalorização ainda mais acentuada dos componentes que mantinham guardados.
O impacto da China e das novas tecnologias
O mercado chinês tem sido o principal palco desta correção de valores, com os revendedores a aplicarem descontos bastante agressivos. Relatórios recentes apontam para cortes que variam entre os 20 e os 50 euros em kits, existindo mesmo casos de liquidações extremas com reduções que chegam aos três dígitos. Contudo, importa notar que estas quebras se concentram essencialmente no retalho e em mercados secundários, não afetando para já os grandes contratos de fornecimento principal da indústria.
Paralelamente, o recente anúncio da Google sobre a tecnologia TurboQuant causou alguma apreensão entre os fabricantes. Esta inovação promete reduzir substancialmente as necessidades de hardware para o processamento complexo, o que poderia abrandar ainda mais a procura global. Apesar deste desenvolvimento, os analistas sublinham que a atual descida dos preços continua a estar essencialmente ligada à fraca adoção por parte dos consumidores e à necessidade urgente de limpar os armazéns ao longo desta primavera.












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