
A fabricante tecnológica Motorola iniciou uma ação judicial na Índia contra várias plataformas de redes sociais e dezenas de criadores de conteúdo. Segundo o TechCrunch, a empresa procura remover publicações que considera difamatórias, o que está a levantar sérias preocupações sobre a liberdade de expressão e o papel da análise independente de produtos no país.
Ação judicial contra críticas e incidentes
No documento de mais de 60 páginas submetido num tribunal de Bengaluru, a empresa exige uma injunção permanente para impedir a partilha de material considerado falso ou difamatório sobre os seus equipamentos. O processo abrange plataformas de grande alcance como a rede X, o YouTube e o Instagram. Entre os principais alvos estão vídeos que mostram telemóveis a incendiarem-se, mas a fabricante também visa avaliações negativas e comentários de utilizadores que classifica como campanhas organizadas de difamação.
Numa declaração oficial, um porta-voz da Motorola afirmou que a medida foi tomada em prol da segurança pública, focando-se em alegações demonstravelmente falsas sobre incidentes com os seus dispositivos. A marca referiu ainda que não pretende silenciar análises legítimas e pediu desculpa aos criadores de conteúdo que possam ter sido envolvidos de forma inadvertida no processo.
O impacto no mercado e a reação da indústria
Apesar da justificação oficial, a estratégia está a gerar receios e indignação. Dois dos criadores mencionados no processo revelaram ter descoberto o caso apenas através de um e-mail de suporte da rede social X. Um deles sublinhou que a sua publicação detalhava um incidente verificado em que a própria fabricante acabou por substituir o equipamento danificado. O criador acusa a marca de assédio psicológico para servir de exemplo, admitindo que o episódio o fará deixar de promover mesmo os aspetos positivos dos aparelhos no futuro.
A Índia representa o segundo maior mercado a nível global para a fabricante, logo atrás dos Estados Unidos. De acordo com a International Data Corporation, a região representou cerca de 21% dos envios globais da marca em 2025. A esmagadora maioria dos modelos vendidos foca-se no segmento abaixo dos 250 dólares (cerca de 230 euros), um patamar altamente competitivo onde a recomendação boca a boca e as críticas online têm um peso decisivo nas escolhas dos consumidores.
O desenrolar da queixa está a dividir o setor. Apar Gupta, advogado e diretor da Internet Freedom Foundation, alertou que este tipo de queixa generalizada contra centenas de publicações pode gerar um efeito dissuasor, levando muitos influenciadores a apagar os seus vídeos por medo dos pesados custos judiciais. Contudo, as opiniões divergem no meio tecnológico. Enquanto executivos de marcas rivais defendem a necessidade de agir contra informações falsas, responsáveis de empresas como a Lava International sublinham que as críticas devem servir para melhorar os produtos e não para silenciar os clientes. Até ao momento, as plataformas visadas não prestaram declarações sobre a ação em tribunal.












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