
Durante a feira Computex, a Intel decidiu sacudir o mercado empresarial com o anúncio de um novo acelerador para servidores. De acordo com as informações avançadas pelo Ars Technica, a fabricante revelou o projeto Crescent Island, uma placa gráfica desenhada de raiz para dominar as operações de inferência em centros de dados, deixando de lado a necessidade de infraestruturas altamente dispendiosas.
Para quem não está familiarizado, a inferência é a fase crítica em que o modelo de inteligência artificial interage diretamente com os utilizadores para dar respostas em tempo real. Para responder a este desafio informático, o novo chip assenta na arquitetura Xe3P, uma variante otimizada para garantir a máxima eficiência energética e o melhor desempenho por watt em cargas de trabalho de grande escala.
Arquitetura invulgar com foco na capacidade
A grande surpresa deste anúncio reside na escolha dos componentes de memória. Em vez de apostar nas habituais e escassas memórias HBM ou GDDR, a empresa optou por integrar até 480 GB de memória LPDDR5X. É uma escolha pouco comum para o segmento de servidores, mas a estratégia tem uma justificação clara: reduzir significativamente os custos de produção e contornar a atual crise de fornecimento global de componentes HBM.
Esta alteração permite oferecer uma capacidade gigantesca para alojar modelos de linguagem complexos sem inflacionar o preço final. Embora a largura de banda da memória venha a ser inferior às soluções da concorrência, a marca acredita que o enorme volume de RAM disponível compensará facilmente essa diferença no processamento contínuo.
Arrefecimento a ar e agentes autónomos
Outro grande trunfo do Crescent Island é o seu consumo energético. Com um valor a rondar os 350 W, este acelerador consegue funcionar perfeitamente apenas com arrefecimento a ar. Isto significa que as empresas não precisam de investir em sistemas de refrigeração líquida intrincados e caros para manter as suas máquinas a funcionar no limite.
A nível de software, o equipamento foi pensado para lidar com o conceito de Agentic AI, focado em agentes autónomos que conseguem executar tarefas através de modelos generativos. O suporte técnico abrange vários formatos numéricos, desde o FP4, ideal para inferência rápida de alto desempenho, até ao FP64, destinado a aplicações de rigor científico.
Embora os testes de desempenho práticos ainda não sejam conhecidos, o calendário já está definido. A distribuição das primeiras unidades de teste para parceiros arranca na segunda metade de 2026, estando a disponibilidade comercial e em massa agendada para o ano de 2027.












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