
Um novo estudo da Kaspersky revela que os utilizadores em Portugal estão a ser severamente afetados por esquemas fraudulentos em aplicações de mensagens. De acordo com o relatório "The Great Messaging Heist", uma única burla bem-sucedida resulta numa perda média superior a 800 euros por vítima no país, um valor que ultrapassa a média global fixada nos 675 euros. Os criminosos exploram rotinas diárias para roubar dinheiro e dados pessoais numa questão de minutos.
Plataformas de eleição e fraude rápida
Entre as vítimas nacionais inquiridas no estudo, o WhatsApp destaca-se como o canal mais utilizado para estas fraudes, representando 56,57% dos casos, um número consideravelmente superior aos 43% registados mundialmente. As mensagens escritas, ou SMS e iMessage, surgem na segunda posição com 49,4%, enquanto o Facebook é o meio escolhido em 17,5% dos incidentes. Além disso, 60% das burlas que atingem os portugueses transitam entre múltiplas plataformas de comunicação, saltando rapidamente de um SMS para outra aplicação.
A velocidade a que estes ataques ocorrem é alarmante. Mais de metade das vítimas portuguesas (54%) caiu no esquema e cedeu informações ou dinheiro em menos de meia hora. Pior ainda, 14% foram enganadas em menos de cinco minutos. Elisabeth Carter, linguista forense da Kingston University London, esclarece que os burlões recorrem a ambientes sociais familiares e contextos reconhecíveis para criar falsas realidades, fazendo com que as vítimas acreditem que as suas decisões são perfeitamente lógicas no momento.
Prejuízos avultados e falta de perceção tecnológica
Embora a percentagem de portugueses que admite ter perdido dinheiro (43%) seja inferior à média global (51%), os montantes envolvidos são bastante significativos em caso de sucesso do ataque. Mais de 18% dos lesados em Portugal perderam quantias superiores a 1.245 euros. A perda de informação sensível atingiu 22,3% dos participantes nacionais. O estudo mostra também que estes crimes raramente são isolados, com 28% das vítimas portuguesas a sofrerem três ou mais tentativas de burla nos últimos seis meses.
A eficácia destes crimes é amplificada pelo uso de inteligência artificial para clonar vozes ou gerar imagens falsas de marcas e familiares. Curiosamente, apenas 29,1% dos inquiridos em Portugal acreditam que a tecnologia foi utilizada nos esquemas de que foram alvo, em contraste com a perceção de 66% registada noutros países. Esta falta de reconhecimento torna os utilizadores locais um alvo mais fácil. O impacto não é apenas financeiro: 51% dos portugueses sentem raiva após a burla, 35% frustração e 26,2% medo ou perturbação emocional.
Medidas essenciais de proteção digital
Para combater esta vaga de ataques organizados, a empresa de segurança recomenda uma abordagem preventiva constante. Segundo Marc Rivero, investigador principal da Kaspersky, o aumento das fraudes potenciadas por tecnologia de ponta exige mais do que uma simples consciencialização do problema.
Os utilizadores devem parar e refletir antes de reagir a mensagens que exijam pagamentos imediatos ou ações urgentes. É fundamental verificar a identidade dos contactos por vias alternativas de forma independente e proteger todas as contas com palavras-passe fortes e exclusivas, recorrendo a gestores dedicados para evitar a reutilização. Por fim, manter a atenção redobrada a notificações suspeitas e evitar clicar diretamente em links recebidos por mensagem constitui uma barreira vital contra a perda do seu dinheiro e da sua tranquilidade.












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