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Em declarações à agência Lusa, o inspetor da Polícia Judiciária (PJ) responsável pelo combate à criminalidade informática, Rogério Bravo, disse que “entre janeiro e outubro deste ano o crime económico de 'phishing' representou mais de dois milhões e meio de euros”.

O 'phishing' consiste em enviar um e-mail apresentando-se como um negócio legítimo, numa tentativa de levar o destinatário a divulgar informação pessoal e sensível (palavras-chave, números de cartão de crédito e informação bancária) após o ter levado a visitar um website. No entanto, o sítio na net não é genuíno e é criado com o único propósito de roubar informação ao utilizador.

Em Portugal os principais crimes cometidos através do uso de um computador são o 'phishing' e os crimes contra crianças (como pornografia de menores), disse o responsável da PJ à margem da apresentação de um relatório sobre cibercrime.

O estudo, realizado a mais de sete mil pessoas, concluiu que dois em cada três utilizadores de internet já foram vítimas de cibercrime, mas como a maioria não acredita que os criminosos alguma vez sejam levados à Justiça estes delitos são poucas vezes comunicados à polícia.

“O cibercrime move a nível mundial mais dinheiro que o narcotráfico”, acrescentou, em declarações à agência Lusa, Javier Ildefonso, diretor de Marketing da Symantec Ibérica, empresa responsável pelo relatório.

O inspetor da PJ lamentou que Portugal não faça parte “da lista das fontes utilizadas para o estudo”, deixando um repto aos responsáveis: “Gostávamos de ter uma oportunidade de constar neste tipo de inquéritos, já que não existe nenhum no nosso país”.

Em Portugal, os dados que existem são os das queixas que chegam à PJ. E os números revelam que “neste momento não há nenhum cibercriminoso preso em Portugal”, segundo informação do inspetor, que garante que “já houve vários” detidos.

Rogério Bravo lamentou que as “pessoas não percebam que quando se ligam à internet perdem a privacidade”.

O "Relatório Norton de Cibercrime: o impacto humano" revela que 65 por cento dos utilizadores já foram vítimas de cibercrimes, que vão desde fraudes on-line de cartões de crédito, vírus informáticos a roubo de identidade.

“Tudo o que se escreve na internet vai ficar na internet para sempre”, alertou o espanhol Javier Ildefonso, lembrando que é uma espécie de “tatuagem digital”, para a qual “não existe nenhuma cirurgia a lazer para a remover”.

Sobre a alteração da lei do cibercrime, que faz agora um ano, Rogério Bravo considera que “ainda é muito cedo” para fazer uma avaliação das mudanças: “ainda estamos à espera de ver os reflexos da nova lei” mas parece estar a dar resultados”, disse.


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