
A empresa de satélites de Elon Musk decidiu abrir o sinal de internet para todas as zonas afetadas pelos dois violentos sismos que atingiram o território venezuelano. A confirmação chegou através de uma publicação da presidente interina do país, Delcy Rodríguez, na sua conta oficial na rede social X, onde agradeceu o apoio tecnológico prestado num momento de crise profunda.
A Starlink referiu que o serviço vai manter-se sem qualquer custo até ao dia 25 de julho, permitindo que as equipas de resgate e a população consigam manter canais de comunicação vitais ativos. A tragédia, marcada por dois abalos de magnitude 7,2 e 7,5 separados por meros 39 segundos, deixou um rasto de destruição massiva, concentrando danos gravíssimos na capital Caracas e na região de La Guaira, com edifícios inteiros a colapsar.
Um novo clima político e o impacto local
Este gesto de solidariedade tecnológica surge num contexto de forte mudança e reaproximação diplomática. O atual governo interino restabeleceu recentemente as relações com os Estados Unidos, atualmente liderados por Donald Trump. Esta transição profunda no país ocorreu após a operação militar norte-americana que culminou na captura do ex-presidente Nicolás Maduro no passado mês de janeiro em Nova Iorque, abrindo caminho para novas reformas legislativas destinadas a facilitar a entrada de investimento estrangeiro.
Para a vasta comunidade portuguesa a residir na Venezuela, o impacto tem sido avassalador. O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, confirmou o falecimento de 28 cidadãos nacionais ou lusodescendentes. O balanço global partilhado pelas autoridades locais aponta já para 929 vítimas mortais confirmadas e mais de três mil feridos, com a agravante de as Nações Unidas estimarem cerca de 50 mil pessoas dadas como desaparecidas sob os escombros.
Mobilização de meios de resgate e telecomunicações
A falha generalizada nas infraestruturas de comunicações levou a uma resposta imediata do setor em Portugal. Conscientes da angústia de quem procura saber do paradeiro dos seus familiares, operadoras nacionais como a NOS e a Vodafone avançaram com a isenção total de custos nas comunicações diretas para o território venezuelano, facilitando contactos que de outra forma seriam impossíveis de realizar.
No terreno, a corrida contra o tempo avança a cada hora. A Força Aérea Portuguesa enviou dois aviões KC-390 a partir da base de Beja, transportando 64 operacionais altamente especializados. Esta força conjunta integra elementos da Unidade Especial de Proteção e Socorro da GNR, da Proteção Civil e do INEM, com equipamento pesado focado na busca e recuperação de vítimas em estruturas colapsadas. A bordo seguiram também 23 toneladas de ajuda humanitária, reforçando a linha da frente lado a lado com equipas de resgate destacadas por vários outros países da União Europeia.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!