
O crescimento acelerado das infraestruturas destinadas à inteligência artificial (IA) provocou uma subida expressiva na pegada ambiental das maiores empresas tecnológicas do mundo. No último ano fiscal, terminado em março de 2026, a Microsoft, a Amazon e a Google emitiram, em conjunto, 119 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono equivalente (mTCO2e). O volume representa um acréscimo de quase um quinto face aos 101 milhões de toneladas registados no período homólogo anterior, aproximando o impacto ecológico deste trio a cerca de um terço das emissões totais de um país como a França.
De acordo com dados publicados pelo The Guardian, a expansão massiva de centros de dados para treinar e operar modelos generativos e serviços na nuvem é o principal motor deste retrocesso ambiental. A inversão de tendência surge após anos de esforços em que estas corporações tentaram estabilizar ou reduzir as suas emissões.
A corrida pelos centros de dados de IA
Os relatórios anuais de sustentabilidade das três empresas confirmam o impacto da infraestrutura física. A Microsoft registou a subida mais acentuada, com um aumento de 25% nas suas emissões, atingindo as 20 milhões de toneladas métricas. A Google reportou um crescimento de 18% no último ano, enquanto a Amazon enfrentou uma subida global de 16% — acompanhada por um aumento de 20% especificamente nas emissões da sua cadeia de abastecimento, onde se inclui a construção civil de novos complexos de servidores.
Esta vaga construtiva reflete-se nos investimentos financeiros do setor. Estima-se que as maiores companhias tecnológicas gastem cerca de 765 mil milhões de euros este ano em infraestruturas digitais. Adicionalmente, a consultora imobiliária JLL prevê a criação de aproximadamente 1.200 novos centros de dados à escala global até 2030, impulsionados quase exclusivamente pela procura de ferramentas de inteligência artificial.
Escassez de créditos e pressões na rede elétrica
A par do impacto na atmosfera, a expansão acentuada do setor coloca sérios desafios ao fornecimento energético mundial. Segundo projeções do Uptime Institute, os grandes projetos de armazenamento e processamento anunciados recentemente deverão consumir 1,3% de toda a eletricidade do planeta, duplicando as exigências atuais deste segmento.
Shaolei Ren, professor de engenharia elétrica na Universidade da Califórnia, Riverside, aponta que o aumento das emissões está diretamente correlacionado com os investimentos em IA. O especialista destacou ainda que os relatórios sugerem uma escassez de créditos de carbono disponíveis nos mercados internacionais para compensar estas atividades, criando uma barreira virtual para as metas de neutralidade carbónica.
Até ao momento, as três empresas mantêm os seus objetivos públicos de atingir a neutralidade de emissões: a Google e a Microsoft estabeleceram a meta para 2030, enquanto a Amazon aponta para 2040. Em Portugal e na Europa, o debate sobre a pegada destas tecnologias continua a intensificar-se à medida que o mercado local absorve mais serviços integrados na nuvem.












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