
O abrandamento na migração para os sistemas operativos mais recentes está a criar um problema de segurança persistente em muitas infraestruturas empresariais. De acordo com dados recentes da Lansweeper, cerca de 16,9% dos computadores monitorizados globalmente, o que representa aproximadamente um em cada seis equipamentos, ainda executam o Windows 10. Embora o sistema tenha registado uma quebra substancial face aos cerca de 50% registados no ano passado, o ritmo de transição estagnou de forma preocupante nos últimos meses.
O perigo oculto das vulnerabilidades ativas
A permanência nesta plataforma antiga acarreta perigos estruturais graves para a integridade dos dados corporativos. Os dados recolhidos demonstram que um computador equipado com a versão antiga do sistema regista, em média, 1.903 vulnerabilidades e falhas de segurança (CVEs) ativas. Em contrapartida, os dispositivos atualizados para a versão mais recente apresentam uma média de apenas 652 falhas expostas, estabelecendo uma diferença de 2,9 vezes mais riscos para os sistemas desatualizados.
Este cenário agrava-se consideravelmente devido a uma técnica conhecida como engenharia inversa de correções (patch diffing). Os atacantes analisam minuciosamente as correções de segurança lançadas especificamente para o ecossistema moderno para identificar e explorar as mesmas falhas na versão anterior que permanece sem proteção. Desta forma, as atualizações do sistema informático atual funcionam involuntariamente como um mapa detalhado para explorar as fragilidades dos computadores antigos.
Custos e dependência de fornecedores travam transição
O problema afeta sobretudo as pequenas e médias empresas, onde 21,4% dos computadores mantêm a plataforma antiga devido aos custos elevados de renovação do parque informático. A resistência é também evidente no setor da saúde e farmacêutico, com uma taxa de permanência de 23%, e no comércio a retalho, que regista 22,7%. Em Portugal, o tecido empresarial enfrenta barreiras semelhantes, dividindo-se entre a necessidade de investir em hardware dispendioso e a dependência direta de fornecedores de software especializado que tardam em atualizar as suas aplicações.
Muitos sistemas industriais e equipamentos médicos têm o seu funcionamento estritamente vinculado à certificação do fabricante original. Nestes casos, as organizações não podem atualizar o sistema operativo sem perder a garantia ou violar normas de conformidade legais. Mesmo que as empresas subscrevam o programa de atualizações de segurança alargadas (ESU) da Microsoft, o suporte temporário terminará a 12 de outubro de 2027 para consumidores e a 10 de outubro de 2028 para clientes comerciais, tornando a substituição física dos equipamentos inevitável a longo prazo.












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