
O debate sobre uma possível sobrevalorização no setor da inteligência artificial (IA) continua a dividir os analistas, mas para Masayoshi Son, CEO do SoftBank, a resposta é inquestionável. O executivo rejeitou categoricamente a existência de uma bolha durante a conferência anual da empresa em Tóquio, afirmando que serão necessários investimentos contínuos na ordem dos 5 biliões de dólares (cerca de 4,6 biliões de euros) por ano para consolidar esta tecnologia no futuro.
Segundo avançou a agência Reuters, Son classificou a atual discussão sobre o tema como "absurda". O líder do grupo japonês foi perentório na sua apresentação, garantindo que "quem faz essa pergunta não sabe o que é IA".
A caminho da superinteligência até 2040
Na perspetiva do líder do SoftBank, o desenvolvimento tecnológico não só não vai abrandar como exige um volume de capital sem precedentes. O executivo reviu a sua previsão para a chegada da superinteligência artificial, empurrando a estimativa do ano de 2035 para 2040. Para atingir este marco evolutivo, Son defende que um investimento anual de 800 biliões de ienes é o custo realista e inevitável da inovação.
Para enquadrar este volume colossal — que se aproxima do Produto Interno Bruto de algumas das maiores economias mundiais —, Son argumentou que, assim que as receitas geradas pela IA passarem a representar 20% do PIB global, este esforço financeiro será visto apenas como um "erro de arredondamento". O CEO foi ainda mais longe na sua defesa do setor, reiterando a sua visão de que rotular o mercado atual como uma bolha é "uma blasfêmia contra a IA".
O peso financeiro e o impacto nas contas
Apesar desta visão otimista a longo prazo, a agressividade dos investimentos tem gerado forte apreensão em Wall Street e nos mercados internacionais quanto à sustentabilidade do próprio SoftBank. A empresa já alocou cerca de 65 mil milhões de dólares (aproximadamente 59,8 mil milhões de euros) à OpenAI, a entidade responsável pelo ChatGPT, o que levanta sérias dúvidas sobre a diversificação e a gestão de risco do conglomerado.
Esta elevada concentração de capital já teve consequências visíveis no rating da empresa. Em março, a agência de notação S&P Global reviu a perspetiva de crédito do SoftBank de "neutra" para "negativa". O relatório da agência alertou que a liquidez da carteira de ativos do grupo tende a deteriorar-se precisamente porque os investimentos no setor de IA passaram a representar uma fatia excessiva dos seus fundos. Novas injeções de capital poderão enfraquecer os indicadores essenciais de saúde financeira da tecnológica, embora a liderança pareça totalmente disposta a assumir o risco para dominar a próxima era digital.












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