
O anúncio de que a Sony planeia encerrar a produção de videojogos em formato físico a partir de janeiro de 2028 continua a gerar uma forte contestação na comunidade. Segundo avança o Video Games Chronicle, esta indignação está agora a atingir proporções que ultrapassam a própria multinacional, afetando diretamente os criadores independentes. Os canais oficiais da PlayStation no YouTube e nas redes sociais transformaram-se num palco de protestos, onde os trailers de novos títulos são inundados por críticas direcionadas à fabricante nipónica.
Jogos independentes sufocados pelas críticas à Sony
Um dos casos mais evidentes desta reação envolve o jogo Teeto, um título de plataforma 3D desenvolvido pelo estúdio neozelandês Eat Pant Games. A equipa partilhou inicialmente o seu entusiasmo ao ver o trailer de lançamento publicado nos canais da PlayStation e a acumular centenas de comentários em poucas horas. Contudo, a surpresa rapidamente deu lugar à desilusão ao perceberem que quase nenhuma das mensagens mencionava a produção em si.
Em vez de avaliações sobre a jogabilidade ou o visual de Teeto, a secção de comentários foi ocupada por frases como "não deixem que destruam o nosso futuro" ou "queremos ser donos dos nossos jogos físicos". O vídeo acabou por receber uma elevada taxa de rejeição, acumulando cerca de 950 votos negativos face a apenas 259 positivos, numa métrica obtida através de ferramentas de terceiros que contornam a ocultação nativa de avaliações do YouTube.
Outro estúdio apanhado no fogo cruzado foi o responsável por Denshattack. O título, que se estreou recentemente com uma nota de 88 pontos no agregador Metacritic, viu a sua publicação promocional na rede social X ultrapassar as 2 milhões de visualizações. Porém, a grande maioria dos 4 mil comentários consistia em protestos contra o fim dos discos, com alguns utilizadores a sugerirem o boicote à versão para a PS5, incentivando a compra do jogo noutras plataformas.
Promessas de marketing ensombradas pelo descontentamento
Esta situação não se limita a produções de menor escala. De acordo com informações avançadas pelo canal Moore's Law Is Dead, o atual cenário está a gerar um desconforto crescente entre várias editoras e estúdios externos. O relatório aponta que estas empresas pagam milhares de euros à Sony para garantir espaço promocional nas contas oficiais da PlayStation. No entanto, o investimento está a ser ofuscado pela negatividade do público.
Fontes ligadas ao setor referem que alguns programadores começam a questionar se o custo destas campanhas de marketing premium ainda se justifica, dado que os anúncios deixam de ter visibilidade devido à revolta em torno da estratégia digital da fabricante.
O fenómeno estende-se a outros títulos publicados recentemente. Trailers de jogos como Mai: Child of Ages, Where Winds Meet, Moss: The Forgotten Relic, Farming Camp e The Mound: Omen of Cthulhu registaram o mesmo padrão de contestação. Nem as grandes produções escaparam: um vídeo focado no Homem-Aranha para Marvel Tokon: Fighting Souls recebeu 5.100 reações negativas contra 1.700 positivas, enquanto a expansão Golpe no Centro Kortz, de GTA Online, foi alvo de piadas sobre a necessidade de organizar um assalto para resgatar os discos da sede da empresa.
Sony mantém estratégia apesar da contestação
Para quem acompanha o mercado de consolas em Portugal e na Europa, este movimento reflete o receio dos consumidores perderem o mercado de segunda mão e a posse real das suas coleções. Paralelamente aos protestos nos canais de comunicação, uma petição pública na plataforma Change.org contra a decisão da multinacional já ultrapassou as 320 mil assinaturas.
Apesar da forte contestação da comunidade e do impacto colateral nos seus parceiros de software, a gigante japonesa não dá sinais de recuo. A empresa continua a avançar com o plano de transição para o ecossistema puramente digital, tendo inclusive direcionado um investimento de aproximadamente 30 milhões de euros para a sua infraestrutura na Áustria, focado no desenvolvimento de microlentes ópticas.












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