
A produção de infraestrutura para inteligência artificial tornou-se a principal fonte de receita da Foxconn, ultrapassando historicamente o negócio de montagem de telemóveis. Segundo os dados divulgados pela TNW, a divisão de nuvem e redes da gigante taiwanesa representou 51% da faturação total no trimestre encerrado em junho, enquanto a área de eletrónicos de consumo — onde se inclui a montagem dos iPhones da Apple — ficou-se pelos 29%.
Mudança estrutural impulsionada pelos servidores de inteligência artificial
A alteração reflete uma viragem profunda no modelo de negócio da tecnológica, oficialmente denominada Hon Hai Precision Industry. Durante vários anos, a empresa dependeu da Apple para assegurar mais de metade dos seus proveitos financeiros. Embora a fabricante continue a ser a parceira central na montagem de dispositivos móveis, a explosão na procura por equipamentos dedicados ao processamento de dados alterou o equilíbrio de forças nas contas do grupo.
Apesar da menor percentagem nas receitas globais, o volume de fabrico de telemóveis não diminuiu. A queda relativa da área de consumo acontece porque o segmento de servidores cresceu a um ritmo bastante mais acelerado. Como termo de comparação, a fábrica de Zhengzhou, localizada na China, manteve o seu estatuto industrial histórico, tendo chegado a concentrar perto de 80% da produção global de iPhones.
Investimentos em expansão e cautela dos mercados financeiros
A administração da empresa garante que este alinhamento estratégico veio para ficar. O CEO rotativo, Michael Chiang, sublinhou perante os analistas que esta transição tem caráter estrutural e não passageiro, acrescentando que o investimento em soluções de nuvem "se tornará o principal motor de crescimento da Hon Hai nos próximos anos".
O cenário insere-se num ciclo de forte aceleração na infraestrutura tecnológica. A TSMC, que também fornece componentes à Apple, regista um crescimento homólogo significativo no mesmo setor, prevendo-se que a capacidade de fabrico da tecnologia de encapsulamento CoWoS aumente mais de 50% no próximo ano. Contudo, os investidores mantêm reservas perante eventuais riscos de sobreaquecimento no mercado de IA: as ações da Foxconn valorizaram 17% em 2026, um desempenho abaixo da média de 57% registada pelo conjunto das empresas tecnológicas taiwanesas.












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