
Os novos smartphones da linha Pixel 11 da Google passam a integrar a capacidade de interpretar linguagem gestual através da câmara e convertê-la diretamente em texto. O recurso, pensado para promover a acessibilidade de pessoas surdas ou com deficiência auditiva, permite escrever mensagens, fazer pesquisas na web e interagir com o assistente Gemini sem tocar no ecrã. A funcionalidade está integrada no teclado Gboard e na Transcrição Instantânea, embora se limite, nesta fase inicial, à tradução da Língua Gestual Americana (ASL) para inglês.
Inteligência artificial analisa movimentos do corpo e preserva a privacidade
A tecnologia assenta no modelo SL2T, desenvolvido pela Google DeepMind, uma solução que lida com a complexidade própria das línguas gestuais — sistemas que possuem gramática e vocabulário independentes da fala. Como a interpretação depende da posição dos braços, rosto, cabeça e tronco, o processo começa no próprio smartphone através do algoritmo MediaPipe Holistic. Este sistema mapeia os pontos do corpo, transforma os movimentos em coordenadas geométricas e elimina a gravação de vídeo original no imediato, enviando apenas os dados numéricos para processamento nos servidores.
Para treinar a inteligência artificial, a equipa utilizou mais de 100.000 horas de vídeo abrangendo 50 línguas gestuais distintas, sendo 25% desse total correspondente à ASL. A aprendizagem conjunta em múltiplos idiomas permitiu ao modelo identificar padrões universais na comunicação por gestos. O sistema foi também desenhado para reconhecer utilizadores canhotos e adaptar-se a quem faz gestos com apenas uma mão enquanto segura o equipamento.
Limitações atuais e planos de expansão para novos idiomas
Para evitar erros durante a utilização diária, a ferramenta foi configurada para ignorar movimentos normais, como ajustar a posição do telemóvel ou passar a mão à frente da câmara. Ainda assim, a empresa reconhece a existência de falhas quando a comunicação envolve gestos pouco habituais, soletração rápida ou frases com forte dependência de contexto.
O impacto prático para os utilizadores é significativo, marcando uma evolução na forma como os telemóveis auxiliam pessoas com perda auditiva em ambientes quotidianos. A Google já confirmou a intenção de expandir o suporte a mais idiomas e disponibilizar a ferramenta noutros dispositivos móveis no futuro, embora não tenha detalhado prazos ou modelos elegíveis.












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