
Segundo avançou o Financial Times, a China atenuou as suas restrições para permitir a entrada de 10.000 processadores H200 da NVIDIA na região continental, destinados à ByteDance e à Tencent, respetivamente. A medida, concretizada nas últimas semanas, procura reforçar o treino de modelos de IA de fronteira por parte destas empresas locais, ajudando-as a competir frente a frente com as congéneres americanas. O diário avança que outras tecnológicas chinesas poderão receber remessas da mesma dimensão em breve, numa altura em que ambas as gigantes desenvolvem e treinam os seus próprios modelos e agentes de inteligência artificial.
Restrições americanas e luz verde à importação
O governo dos EUA proibiu anteriormente a venda de processadores H200 ao território chinês, motivado pelo receio de que o equipamento ajudasse o desenvolvimento de tecnologias militares do país. Apenas em dezembro de 2025 foi aberta uma janela de venda a clientes chineses previamente aprovados, altura em que o modelo já acumulava dois anos de existência. A agência Reuters reportou que a China acordou a importação de várias centenas de milhares de unidades H200 no mês de janeiro. A mesma fonte adiantou em maio que os EUA concederam permissão de compra a 10 empresas locais, grupo que abrange a ByteDance e a Tencent.
Desvio estratégico das encomendas
Os processadores começam agora a chegar às mãos das empresas autorizadas, com cada firma a deter aprovação para comprar um limite de 100.000 chips. As autoridades chinesas pretendem afastar a maioria das remessas da região continental para fomentar o mercado nacional de semicondutores. A indústria de chips vive um período de expansão acentuada na Ásia motivado pelo controlo de exportações dos EUA, levando as fabricantes locais a produzir soluções próprias para quebrar a dependência de produtos estrangeiros.
Para cumprir este objetivo de bloqueio geográfico, o Estado orientou as empresas a desviarem as entregas para Hong Kong, embora nenhuma delas possua atualmente centros de dados a operar nessa região. O desvio logístico para este território especial sublinha a pressão geopolítica no acesso a poder computacional crítico, forçando as tecnológicas asiáticas a improvisarem novas infraestruturas fora da sua base de atuação tradicional de forma a não perderem a corrida à inteligência artificial.












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