
Um dos sismos mais potentes alguma vez registados abalou recentemente a costa oriental da Rússia, desencadeando alertas de tsunami por várias nações do Pacífico. Apesar da magnitude do evento, a espinha dorsal da internet, composta por uma complexa rede de cabos submarinos, parece ter resistido ao impacto, mantendo as comunicações globais a funcionar sem interrupções notórias.
Infraestruturas críticas permanecem operacionais
O terramoto, com uma impressionante magnitude de 8,8, classificou-se como o sexto maior da história, gerando ondas que chegaram a locais tão distantes como o Havai. As autoridades no Japão e na costa oeste dos EUA emitiram avisos, e localidades costeiras de baixa altitude foram aconselhadas a evacuar por precaução.
No entanto, no que toca ao mundo digital, o cenário é de calma. Gigantes da tecnologia como a AWS, a Azure e a Google Cloud não reportaram quaisquer anomalias nos seus serviços. Em particular, a empresa russa Rostelecom confirmou que o seu cabo submarino, que liga Petropavlovsk-Kamchatsky a Anadyr e passa perto do epicentro, não sofreu qualquer interrupção. Até o cabo Polar Express, atualmente em construção na mesma zona, não parece ter sofrido danos estruturais, embora o abalo sísmico possa vir a causar atrasos na sua conclusão.
Porque resistiram os cabos submarinos?
Embora o epicentro não se localizasse diretamente sobre um grande número de cabos, o Oceano Pacífico alberga uma vasta teia de ligações vitais, como o cabo Topaz da Google e o Jupiter, detido em parte pela AWS e pela Meta. A resiliência destas estruturas deve-se, em grande parte, à forma como são instaladas.
Os cabos são geralmente enterrados em valas de proteção nos primeiros quilómetros a partir da costa. Quando se encontram expostos no leito oceânico, estão a profundidades que os protegem eficazmente das colossais colunas de água geradas por um tsunami. O verdadeiro perigo não vem das ondas à superfície, mas sim de deslizamentos de terra submarinos provocados pelos abalos sísmicos. Um evento desta natureza ocorreu em 2006, quando um terramoto de magnitude 7,0 em Taiwan danificou nove cabos essenciais na região do Pacífico Asiático.
A nuvem como rede de segurança
Mesmo que um ou mais cabos fossem danificados, os grandes fornecedores de serviços na nuvem contam com uma arquitetura robusta. Utilizam múltiplas "Availability Zones" (Zonas de Disponibilidade) geograficamente distribuídas. Isto significa que, se uma catástrofe como o terramoto na Rússia afetasse uma determinada rota de dados, o tráfego seria redirecionado através de outras vias em questão de horas, ou até menos, garantindo a continuidade dos serviços para a maioria dos utilizadores em todo o mundo. Para explorar a complexa rede de ligações, pode consultar o Submarine Cable Map.












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