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asteroide no espaço

O Espaço continua a brindar-nos com visitas fascinantes e, desta vez, é um viajante interestelar que está a captar as atenções da comunidade astronómica. O cometa 3I/ATLAS, descoberto no passado mês de julho, prepara-se para fazer a sua maior aproximação ao nosso planeta já nesta sexta-feira, dia 19 de dezembro. Embora a distância de segurança seja enorme, este é um momento único para observar um objeto que está de saída do nosso sistema solar.

Descoberto originalmente no Chile pelo sistema de alerta ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System) da NASA, este corpo celeste tem vindo a ganhar destaque após ter passado por Marte e pelo Sol em outubro. Agora, inicia a sua despedida numa trajetória rumo ao Espaço interestelar.

Passagem distante e como assistir online

No momento da sua maior aproximação, o 3I/ATLAS estará a cerca de 273 milhões de quilómetros da Terra. Para colocar em perspetiva, é uma distância considerável que impossibilita a observação a olho nu. Segundo os cálculos do Jet Propulsion Laboratory, citados pelo Space.com, o ponto de maior proximidade será atingido pelas 06h00 (hora de Lisboa) de dia 19.

Para quem possui equipamento amador, a agência espacial norte-americana esclarece que será necessário um telescópio com uma abertura de, pelo menos, 30 centímetros para tentar vislumbrar o objeto perto da constelação de Leão. No entanto, a tecnologia facilita a vida aos curiosos: será possível acompanhar o evento no conforto de casa através do YouTube.

A transmissão ao vivo será assegurada pelo Virtual Telescope Project, com início marcado para as 04h00 em Lisboa. Atualmente, o cometa desloca-se a uma velocidade superior a 230 quilómetros por hora, continuando a sua jornada para longe do Sol.

Revelações científicas através de Raios-X

Enquanto navega pelo nosso "bairro" cósmico, o 3I/ATLAS tem sido alvo de estudo intenso por parte de vários observatórios. Recentemente, a Agência Espacial Europeia conseguiu captar imagens impressionantes através do observatório de raios X XMM-Newton.

Segundo a ESA, as observações realizadas no dia 3 de dezembro, quando o cometa estava a cerca de 280 milhões de quilómetros do observatório, revelaram detalhes cruciais sobre a sua composição. A câmara EPIC-pn detetou o brilho do cometa em raios X de baixa energia, um fenómeno que ocorre quando as moléculas de gás libertadas pelo objeto colidem com o vento solar.

Estes dados são fundamentais para identificar a composição química do visitante. Telescópios como o SPHEREx e o James Webb já identificaram gases como vapor de água, dióxido de carbono e monóxido de carbono. A ESA destaca que estas observações em raios X são ferramentas poderosas para detetar elementos como hidrogénio e azoto, que muitas vezes escapam aos instrumentos ópticos tradicionais.

Quanto ao futuro deste viajante cósmico, os astrónomos preveem que passe perto de Júpiter em março do próximo ano, a cerca de 53 milhões de quilómetros do gigante gasoso, antes de atingir o Espaço interestelar em meados da década de 2030, conforme indicado nas previsões de observação da NASA.

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