
A busca por temperaturas mais baixas e frequências mais altas é uma constante no mundo do entusiasmo tecnológico, levando por vezes a experiências pouco ortodoxas. Foi exatamente isso que fez o criador de conteúdos TrashBench, que decidiu colocar à prova uma teoria ousada: instalar um computador funcional dentro de um congelador para verificar se o frio extremo se traduziria num aumento significativo de performance.
O objetivo do teste era perceber se o arrefecimento extremo, num cenário doméstico improvisado, poderia ser viável, apesar dos riscos óbvios associados à humidade e à condensação. Para o efeito, foi utilizado um PC equipado com um processador Intel Core i7-9700K e uma placa gráfica GeForce GTX 1070.
O desafio da condensação e do gelo
Operar eletrónica em temperaturas negativas exige precauções redobradas. O sistema foi instalado num congelador modificado, com isolamento extra na tampa para minimizar a entrada de ar externo e manter a temperatura interna estável. O maior inimigo deste tipo de "setup" é a condensação, que pode causar curtos-circuitos fatais para o hardware.
Para mitigar este risco, o youtuber suspendeu os componentes com tiras de borracha, evitando o contacto direto com as superfícies geladas da arca, e espalhou grandes quantidades de sílica gel no interior para absorver a humidade residual do ar. O ambiente foi estabilizado a uns gélidos -26 °C antes do início dos testes de esforço.
Ganhos marginais e a realidade prática
Com o sistema em funcionamento a temperaturas negativas, foi possível realizar um overclock à placa gráfica, elevando a sua frequência em cerca de 240 MHz. No entanto, os resultados práticos nos videojogos ficaram aquém do que a complexidade da operação poderia sugerir.
Nos testes realizados, os ganhos foram modestos: registou-se um aumento de apenas 3 FPS no Far Cry 6, 4 FPS no Cyberpunk 2077 e 8 FPS no Shadow of the Tomb Raider. Embora tenha havido uma melhoria, esta não justifica o esforço logístico nem o consumo energético de manter um computador dentro de uma arca congeladora.
O aspeto mais positivo da experiência foi a sobrevivência do equipamento. Ao final dos testes, o sistema permaneceu completamente seco, provando que, com um planeamento rigoroso, é possível controlar a condensação em cenários de frio extremo pontuais. Contudo, o próprio criador admite que esta não é uma solução viável para o dia a dia, servindo mais como uma curiosidade para entusiastas do que como uma alternativa real aos sistemas de arrefecimento tradicionais.










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