
A corrida espacial está prestes a ganhar um novo tipo de tripulante. A Engine AI, uma fabricante de robôs humanoides sediada em Shenzhen, anunciou oficialmente o lançamento de um programa ambicioso para enviar o seu produto para o espaço. O objetivo é claro: transformar o seu modelo PM01 no primeiro robô astronauta humanoide da história.
Para concretizar esta visão, a empresa estabeleceu uma parceria estratégica com a Beijing Interstellar Human Spaceflight Technology, uma companhia de voos espaciais comerciais. O projeto visa adaptar a tecnologia robótica terrestre para enfrentar as condições mais hostis conhecidas pelo homem, elevando a fasquia do que estas máquinas conseguem suportar.
Um desafio de engenharia espacial
Enviar um robô para fora da atmosfera terrestre não é apenas uma questão de transporte, mas sim de sobrevivência tecnológica. A Engine AI destaca que as missões de exploração espacial impõem exigências extremas à estabilidade do desempenho robótico, muito para além do que é necessário em cenários terrestres. O vácuo, a microgravidade, as flutuações drásticas de temperatura e a radiação intensa são fatores que podem inutilizar circuitos convencionais em segundos.
O modelo PM01, que a empresa pretende tornar no primeiro astronauta mecânico, integra módulos de deteção ambiental de alta precisão e mecanismos de resposta de movimento ao nível do milissegundo. Além disso, o robô está equipado com algoritmos de tomada de decisão autónoma, uma característica vital quando o atraso nas comunicações com a Terra pode ser fatal para a missão. A colaboração com a Beijing Interstellar servirá precisamente para aprimorar estas capacidades de adaptação ao ambiente espacial e a execução de missões complexas.
A febre dos humanoides na China
Este anúncio surge num momento em que o setor da robótica humanoide está a explodir na China, posicionando-se como o próximo grande motor de desenvolvimento tecnológico após o sucesso dos veículos elétricos. Segundo um relatório recente da IDC, o mercado global de robôs humanoides registou um crescimento vertiginoso em 2025.
Os dados indicam que as vendas de robôs humanoides no ano passado totalizaram cerca de 418 milhões de euros (440 milhões de dólares), o que representa um aumento impressionante de 508% em relação ao ano anterior. O mercado foi dominado pelos fabricantes chineses, que expediram cerca de 18.000 unidades durante o ano completo.
O interesse não se limita apenas às empresas de robótica pura. Vários fabricantes de automóveis chineses já anunciaram a sua entrada neste setor, aproveitando a sua experiência em produção e inteligência artificial. Um exemplo recente é a Xpeng, que anunciou no início deste mês a conclusão do seu primeiro protótipo de robô, o ET1, desenvolvido segundo os rigorosos padrões da indústria automóvel, conforme reportado pelo CnEVPost.












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