
A transição para os veículos elétricos transformou-se numa autêntica corrida ao ouro, onde startups e gigantes da indústria lutam por um lugar ao sol num cenário cada vez mais competitivo. Entre elas encontra-se a Karma Automotive, uma empresa que nasceu das cinzas da antiga Fisker Automotive e que agora se prepara para dar um salto tecnológico significativo. A marca planeia lançar o seu primeiro veículo totalmente elétrico, o Kaveya, em 2027, e a grande novidade reside no que está "debaixo do capô": uma aposta pioneira em baterias de estado semi-sólido.
Esta tecnologia é frequentemente vista como o "santo graal" da energia para veículos elétricos, prometendo maior densidade energética e segurança. Enquanto a maioria dos grandes fabricantes não prevê a adoção em massa destas células antes do final da década, a Karma quer antecipar-se. Segundo Marques McCammon, CEO da empresa, em declarações ao InsideEVs, o posicionamento da marca como fabricante de baixo volume e alto luxo permite-lhe ser um pioneiro ideal para testar esta inovação. "Somos um fabricante de três a cinco mil unidades por ano, e esse é o lugar perfeito para pilotar novas tecnologias", afirmou o executivo.
A "tecnologia sagrada" num pacote de 1000 cavalos
O futuro Kaveya não será apenas um laboratório sobre rodas, mas sim um supercarro com números impressionantes. Prevê-se que o modelo debite mais de 1000 cavalos de potência, atinja uma velocidade máxima superior a 320 km/h e ofereça uma autonomia acima dos 400 quilómetros. Para alimentar esta máquina, a Karma vai utilizar células de bateria de estado semi-sólido fornecidas pela Factorial Energy.
A arquitetura do veículo foi desenhada com um layout em "osso de cão", onde a bateria é distribuída por secções dianteiras e traseiras ligadas por um túnel central. Esta disposição, semelhante à utilizada no Rimac Nevera, permite manter a posição dos bancos extremamente baixa e desportiva. "Com a tecnologia de estado sólido, tenho uma plataforma mais leve e as células são menores, o que significa que tenho muito mais eficiência no empacotamento", explicou McCammon.
A Factorial Energy não é uma desconhecida no setor. A empresa já se encontra numa fase avançada de desenvolvimento com a Mercedes-Benz, tendo um protótipo do EQS percorrido cerca de 1200 quilómetros com uma única carga utilizando esta tecnologia. A promessa destas baterias reside na capacidade de oferecer autonomias entre 800 a 960 quilómetros com pacotes de 90 kWh, mantendo o peso controlado.
O legado da Fisker e o adeus ao Revero
Para compreender a Karma Automotive, é necessário olhar para o passado. Após a falência da Fisker Automotive em 2014, o conglomerado chinês Wanxiang adquiriu os ativos e rebatizou a empresa. Ao longo dos anos, a Karma comercializou várias iterações do Revero, um veículo elétrico de autonomia estendida (EREV) que mantinha o visual icónico do Fisker original, mas trocou o sistema da General Motors por um fornecido pela BMW.
A produção da versão final do Revero foi encerrada em dezembro na fábrica da Califórnia. Apesar de ter uma empresa-mãe chinesa, a Karma sublinha que todos os seus veículos são desenhados e construídos nos Estados Unidos, sem tecnologia de propulsão proveniente da China. Antes da chegada do Kaveya elétrico, a marca planeia lançar ainda este ano dois novos modelos com tecnologia híbrida semelhante à do Revero: o sedan Gyesera e o coupé Amaris.
Ao contrário de marcas como a Rivian, a Karma não tem interesse em tornar-se um fabricante de grande volume. Com cerca de 1000 carros vendidos desde a sua fundação e preços que superam facilmente os 140 mil euros (convertido do valor de referência de 150.000 dólares), a estratégia passa pela exclusividade e pela inovação tecnológica de ponta.










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