
A fabricante estoniana Verge Motorcycles e a startup finlandesa Donut Lab agitaram a indústria automóvel durante a CES deste ano, ao anunciarem aquela que seria a primeira bateria de estado sólido do mundo pronta para produção. Na altura, a promessa era ousada: as entregas do modelo Verge Motorcycles TS Pro, equipado com esta tecnologia inovadora, começariam ainda no primeiro trimestre deste ano.
No entanto, o prazo de 31 de março já passou e a realidade parece ser bem diferente do prometido. Segundo as informações mais recentes disponíveis no site da Verge Motorcycles, o calendário de entregas deste modelo foi empurrado para o quarto trimestre do ano.
Calendários que não batem certo
A situação parece ser ainda mais complexa para quem não vive nas imediações da sede da empresa. Tuomo Lehtimäki, CEO da Verge Motorcycles, revelou ao jornal finlandês Kauppalehti que as encomendas atuais já se estendem "bem para lá de 2027".
Segundo o executivo, em alguns países como a Finlândia e a Estónia, o tempo de entrega poderá ser mais curto, podendo ocorrer ainda no final de 2026. Isto significa que, se és um dos detentores de uma reserva nos Estados Unidos ou noutras partes da Europa, é pouco provável que vejas a tua mota num futuro próximo. Até ao momento, nem a Verge nem a Donut Lab responderam aos pedidos de comentário para clarificar este novo cronograma.
A confusão aumenta com declarações contraditórias reportadas pelo mesmo jornal, onde o CEO afirmou que seriam "capazes de entregar as motas na primavera". Fica por esclarecer se este "lote de primavera" se refere a uma quantidade minúscula de unidades ou se a capacidade de entrega está dependente de aprovações externas. Sabe-se, contudo, que a produção para este ano está limitada a cerca de 350 motociclos.
O "milagre" tecnológico sob suspeita
A tecnologia por trás deste atraso é a famosa bateria de estado sólido da Donut Lab. A startup afirmou no mês passado ter desenvolvido uma célula com uma densidade energética de 400 watts-hora por quilograma — sensivelmente o dobro do que encontramos nos packs de iões de lítio atuais.
As promessas são de deixar qualquer entusiasta de boca aberta: carregamento total em apenas cinco minutos, durabilidade de 100.000 ciclos e imunidade total ao fogo. Além disso, a empresa destaca a ausência de materiais de terras raras, protegendo a produção de tensões geopolíticas. Contudo, vários especialistas permanecem extremamente céticos em relação a estas afirmações, e alguns grandes fabricantes de baterias na China já refutaram abertamente a viabilidade destes dados.
O obstáculo da certificação
Para além dos desafios de produção, existe a barreira burocrática. Lehtimäki indicou que os processos de certificação estão em andamento tanto na UE como nos EUA. Para vender qualquer veículo na Europa, é necessário passar pelo processo de aprovação de tipo de veículo completo (Whole Vehicle Type Approval), que garante o cumprimento das normas de segurança e design da União.
Nos EUA, o processo é igualmente rigoroso, envolvendo as normas federais de segurança e os requisitos da Agência de Proteção Ambiental (EPA). Dependendo da minúcia da empresa com a documentação e o produto, estes processos podem demorar desde algumas semanas até mais de um ano. Até vermos testes reais na imprensa e entregas efetivas a clientes, esta bateria milagrosa continua a ser mais um mistério do que uma realidade palpável.










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