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O mundo do crime financeiro digital assistiu a mais um capítulo digno de um filme de Hollywood, com a condenação de um cidadão com dupla nacionalidade (chinesa e de São Cristóvão e Neves) a 20 anos de prisão. O problema? O arguido não estava lá para ouvir a sentença. Daren Li, de 42 anos, foi condenado à revelia pelo seu papel num esquema internacional de investimento em criptomoedas que lesou as vítimas em mais de 73 milhões de dólares.

Este caso destaca a perigosidade das burlas conhecidas como "pig butchering" (abate de porcos), onde a confiança é construída meticulosamente antes do golpe final, deixando um rasto de destruição financeira e, agora, um fugitivo internacional.

Fuga antes da sentença

A cronologia deste caso revela uma reviravolta audaciosa. Daren Li tinha-se declarado culpado em novembro de 2024, após ter sido detido em abril do mesmo ano no Aeroporto Internacional Hartsfield-Jackson, em Atlanta. No entanto, a justiça norte-americana viu o criminoso escapar por entre os dedos.

Em dezembro de 2025, Li cortou a sua pulseira eletrónica e fugiu, tornando-se um fugitivo pouco antes da leitura da sua sentença num tribunal federal da Califórnia. Além das duas décadas de prisão, foi-lhe imposta uma pena de três anos de liberdade condicional após o cumprimento da pena — uma medida que, por enquanto, permanece teórica dada a sua fuga.

A arte do engano e lavagem de dinheiro

O modus operandi de Li e dos seus co-conspiradores era complexo e cruel. Utilizavam aplicações de mensagens, plataformas de encontros e redes sociais para criar laços de confiança com as vítimas. Após estabelecerem uma relação, introduziam um esquema de investimento fraudulento. Em vez de gerarem os lucros prometidos, os burlões drenavam as carteiras digitais das vítimas.

Segundo os documentos do tribunal, Li operava como um gestor de branqueamento de capitais. Ele instruía os seus cúmplices a abrir contas bancárias nos EUA em nome de empresas de fachada — cerca de 74 foram identificadas — para receber o dinheiro roubado. Posteriormente, os fundos eram transferidos para o Deltec Bank, nas Bahamas, onde eram convertidos em criptomoeda, nomeadamente Tether (USDT), para ocultar a sua origem.

O nível de sofisticação era elevado, com os investigadores a descobrirem mais de 341 milhões de dólares em ativos digitais numa das carteiras de cripto utilizadas pela rede criminosa para a lavagem de dinheiro. Li é o primeiro arguido diretamente envolvido na receção de fundos das vítimas a ser sentenciado, num grupo de oito co-conspiradores que também já admitiram a culpa.

Uma indústria de milhares de milhões

A sentença de Li reflete a gravidade destes crimes, que continuam a crescer a um ritmo alarmante. Conforme detalhado num comunicado do Departamento de Justiça dos EUA, as perdas causadas por este tipo de fraude são devastadoras para as vítimas em todo o país.

Os dados do FBI relativos ao Relatório de Crime na Internet de 2024 pintam um cenário sombrio: os burlões de investimento roubaram mais de 6,5 mil milhões de dólares a quase 48 mil vítimas, um aumento significativo face aos 4,57 mil milhões registados no ano anterior. As autoridades continuam a perseguir os restantes envolvidos, tendo acusado recentemente mais quatro suspeitos ligados a outro esquema semelhante que gerou prejuízos superiores a 80 milhões de dólares.




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