
Se usas um telemóvel moderno, já estás habituado a que as aplicações te peçam autorização para aceder à câmara, ao microfone ou aos teus ficheiros. No entanto, no mundo dos computadores, essa transparência nem sempre foi a norma. Agora, a gigante tecnológica decidiu mudar o paradigma e vai introduzir um sistema de consentimento no seu sistema operativo que promete dar aos utilizadores o mesmo nível de controlo que têm nos seus dispositivos móveis.
A Microsoft revelou que está a preparar alterações profundas na forma como as aplicações interagem com o sistema, visando aumentar a segurança e a transparência para os mais de mil milhões de dispositivos ativos. Esta nova abordagem surge como resposta direta ao comportamento intrusivo de algum software que, frequentemente, sobrepõe definições ou instala componentes indesejados sem o conhecimento do utilizador.
O fim do acesso sem consentimento
A principal novidade é a introdução de pedidos de permissão explícitos, muito semelhantes aos que encontramos no iOS ou Android. Quando uma aplicação tentar aceder a recursos sensíveis — como a câmara, o microfone, a localização ou ficheiros do sistema — o utilizador verá uma notificação clara a solicitar a sua aprovação.
Logan Iyer, engenheiro da plataforma Windows, explicou que esta medida visa combater as aplicações que modificam a experiência do sistema operativo sem pedir licença. Com esta alteração, os utilizadores poderão ver exatamente que aplicações têm acesso a que recursos e, mais importante, poderão revogar esse acesso a qualquer momento através das definições, tal como fariam no seu telemóvel.
Esta camada de "Transparência e Consentimento do Utilizador" pretende acabar com as instalações surpresa de software indesejado e garantir que nenhuma aplicação acede aos dados pessoais ou ao hardware do computador sem uma autorização expressa.
Segurança reforçada por defeito
Além das notificações de permissão, o Windows 11 vai receber o "Modo de Segurança Base do Windows". Esta funcionalidade ativará salvaguardas de integridade por defeito, garantindo que apenas aplicações, serviços e controladores devidamente assinados e verificados possam ser executados.
Embora esta medida eleve a barreira contra malware e ataques de injeção de scripts, o sistema continuará a permitir flexibilidade. Tanto os utilizadores domésticos como os administradores de TI nas empresas terão a opção de sobrepor estas salvaguardas para executar aplicações específicas, caso seja estritamente necessário.
Estas iniciativas fazem parte da "Secure Future Initiative" (SFI), lançada após críticas à cultura de segurança da empresa e incidentes com hackers no passado. A implementação destas novidades será feita de forma faseada, permitindo ajustes com base no feedback da comunidade, conforme detalhado no blog oficial da Windows Experience.










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