
O regulador das comunicações na Rússia, o Roskomnadzor, iniciou um processo para limitar severamente o acesso ao Telegram. Segundo informações avançadas pelo serviço de notícias RBC, as medidas de restrição começaram a ser aplicadas esta terça-feira, marcando um novo capítulo no controlo estatal sobre as plataformas de comunicação digital em território russo.
O fim da liberdade no Telegram e a ascensão do Max
A estratégia do governo de Moscovo parece clara: sufocar as alternativas estrangeiras para promover uma solução interna. Enquanto o acesso ao mensageiro fundado por Pavel Durov é condicionado, as autoridades têm impulsionado o uso do Max, uma "super-app" estatal inspirada no WeChat chinês. Esta plataforma centraliza desde serviços governamentais e armazenamento de documentos até operações bancárias, tentando prender o utilizador num ecossistema totalmente controlado pelo Estado.
Este bloqueio não acontece de forma isolada. Já no final de 2025, a Rússia tinha começado a impor restrições seletivas ao Telegram, afetando principalmente as chamadas de voz e de vídeo. Agora, a ofensiva tornou-se global, seguindo o exemplo do que aconteceu com o WhatsApp em novembro, que foi totalmente banido após meses de degradação propositada do serviço.
Um cenário de isolamento digital crescente
A lista de plataformas proibidas ou limitadas na Rússia continua a aumentar. Além do Telegram e do mensageiro da Meta, redes sociais como o Facebook, Instagram e o X já se encontram banidas. Até o YouTube tem sofrido limitações constantes no acesso, como parte da repressão tecnológica que se intensificou desde a invasão da Ucrânia em 2022.
O regulador justifica estas ações com alegadas violações das leis locais, acusando frequentemente as aplicações ocidentais de servirem para a organização de atividades ilícitas. No entanto, o impacto direto para os utilizadores é a perda de canais de comunicação independentes, sendo forçados a migrar para ferramentas onde a privacidade é uma miragem. Conforme detalhado nos relatórios da Bloomberg, esta movimentação sinaliza um isolamento digital quase total da população russa em relação ao resto do mundo.










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