
A batalha pelo controlo da Warner Bros. Discovery (WBD) atingiu um novo patamar de intensidade. Numa jogada que promete agitar o mercado de Hollywood e do streaming, a Paramount Skydance apresentou, esta terça-feira, uma revisão estratégica da sua proposta de aquisição, avaliada nuns impressionantes 108,4 mil milhões de dólares (cerca de 102 mil milhões de euros). O objetivo é claro: afastar a concorrência e garantir que os acionistas optam pelo seu dinheiro em vez da proposta rival.
Esta nova ofensiva foi desenhada para eliminar as dúvidas financeiras e regulatórias que pairavam sobre o negócio, colocando uma pressão direta sobre a Netflix, que também está na corrida pela gigante de media.
O "seguro" contra atrasos e a multa milionária
Para tornar a proposta irresistível, a Paramount Skydance decidiu atacar os pontos mais sensíveis da negociação. A empresa comprometeu-se a pagar integralmente a multa de rescisão de 2,8 mil milhões de dólares que a WBD teria de pagar à Netflix caso rompesse o contrato atual. Ao assumir este custo, a Paramount remove um dos maiores entraves financeiros para que a Warner possa mudar de parceiro.
Além disso, foi introduzido um mecanismo de proteção para os acionistas, conhecido como ticking fee. Segundo a Variety, se o negócio não estiver concluído até ao dia 31 de dezembro de 2026, a Paramount pagará 0,25 dólares por ação a cada trimestre de atraso. Isto representa um custo adicional de aproximadamente 650 milhões de dólares a cada três meses, funcionando como uma garantia contra a lentidão dos reguladores ou a volatilidade do mercado.
Para adoçar ainda mais o acordo, está incluído um suporte financeiro de 1,5 mil milhões de dólares para cobrir custos de troca de dívida, uma manobra direta para neutralizar a oferta da concorrência. A proposta da Netflix, em contraste, exigiria a criação de uma nova empresa para os canais de TV linear (a Discovery Global), que nasceria já carregada com uma dívida pesada de 17 mil milhões de dólares, o que gera incerteza sobre o valor real para os investidores.
Larry Ellison e o cheque gigante
A robustez financeira desta operação conta com um peso pesado da tecnologia: Larry Ellison, cofundador da Oracle. O magnata ofereceu uma garantia pessoal recorde de 43,3 mil milhões de dólares para financiar a operação. O argumento central da Paramount é que a sua oferta, sendo integralmente em dinheiro, protege os acionistas da desvalorização dos ativos de televisão tradicional, um setor que enfrenta uma crise contínua e que é a base da proposta rival.
Do lado regulatório, a empresa confirmou já ter cumprido o "segundo pedido" de informações do Departamento de Justiça dos EUA (DOJ), sinalizando que o caminho para a aprovação está mais desimpedido. Ironicamente, o mesmo DOJ encontra-se a investigar a Netflix por possíveis práticas anticoncorrenciais relacionadas com a disputa por talentos e concentração de mercado no streaming.
Com esta cartada final, a Paramount Skydance não só oferece liquidez imediata, como transfere para si todo o risco da operação, tentando tornar a decisão dos acionistas da Warner Bros. Discovery praticamente inevitável.










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