
A Manjaro, a empresa conhecida pelo desenvolvimento da sua popular distribuição de Linux, anunciou que o lançamento da sua muito aguardada consola portátil, a Orange Pi Neo, foi colocado na gaveta. A decisão de travar o projeto prende-se com a escalada descontrolada dos custos dos componentes, com especial destaque para a RAM. Para uma marca desta dimensão, tentar garantir o fornecimento contínuo de chips de memória a um preço razoável tornou-se uma barreira impossível de contornar.
O fim do sonho de uma consola acessível
A grande promessa da Orange Pi Neo era chegar ao mercado com um preço extremamente apelativo, tentando destacar-se e fazer frente às opções já enraizadas. Ao perder este que seria o seu principal argumento de vendas, a fabricante percebeu que não haveria qualquer vantagem em prosseguir com o desenvolvimento. A empresa referiu estar a aguardar pelo momento mais oportuno para voltar a olhar para o produto, como indicaram numa publicação no fórum da Manjaro. No entanto, sabe-se que a crise nos preços da memória poderá estender-se até 2028, o que na prática transforma a palavra congelado num sinónimo claro de cancelamento.
O problema ganha outra dimensão porque o aumento não se limitou à memória volátil. O armazenamento NAND, a base dos discos SSD que dão vida a estas consolas portáteis, sofreu também uma subida drástica. Na tentativa de manter os preços finais sob controlo, a indústria tem tentado cortar na capacidade dos discos, mas o desafio mantém-se. Sem sinais de que a tendência de subida se inverta tão cedo, manter o mesmo design à espera de 2028 significaria lançar um equipamento totalmente ultrapassado.
Quem esperava colocar as mãos nesta consola portátil terá agora de virar as suas atenções para alternativas de peso no mercado, como a ASUS ROG Ally, a MSI Claw ou a Lenovo Legion Go. Até a própria Steam Deck tem enfrentado constrangimentos, com falhas de stock e um potencial aumento de preços no horizonte.
Especificações de topo presas no papel
A nível de hardware, a Orange Pi Neo foi desenhada para agradar aos mais exigentes. O equipamento ia incorporar um ecrã IPS de 7 polegadas com uma resolução de 1920 x 1200 píxeis, taxa de atualização de 120 Hz e um brilho máximo de 500 nits. O processamento ficava a cargo de um processador AMD Ryzen 7 7840U, composto por 8 núcleos e 16 threads baseados na arquitetura Zen 4 a 5,10 GHz, suportado por uma placa gráfica integrada Radeon 780M a 2,70 GHz.
O elemento que acabou por sentenciar o projeto foram os seus 16 GB de memória LPDDR5X a 7500 MHz, uma solução idêntica à encontrada na Lenovo Legion Go, mas com custos atuais proibitivos para um produto com este posicionamento. As especificações terminavam com um SSD NVMe PCIe 4.0 a partir de 512 GB, uma generosa bateria de 50 Wh, suporte para Wi-Fi 6E, Bluetooth 5.3, uma porta USB4 e a incontornável ligação para auscultadores.
Todo este pacote tecnológico estava apontado para o mercado com valores muito competitivos. A versão de entrada teria um preço a rondar os 460 euros, enquanto uma segunda variante, com o ligeiramente superior processador Ryzen 7 8840U, iria chegar perto dos 550 euros. Tratando-se de um equipamento anunciado em fevereiro de 2024 e baseado em hardware de 2023, chegar agora a meio de 2026 faria desta consola uma aposta demasiado cara e desatualizada.












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