
Pua Khein-Seng, CEO da Phison, uma das principais empresas no desenvolvimento de chips controladores para componentes SSD e outros dispositivos de memória flash, deixou um aviso muito sério sobre a atual falta de memória RAM no mercado.
Numa entrevista à Next TV conduzida por Ningguan Chen na televisão de Taiwan, o executivo concordou que a escassez é tão grave que poderá forçar várias fabricantes a reduzir as suas linhas de produtos já na segunda metade de 2026. O cenário mais extremo aponta mesmo para o encerramento de algumas empresas, caso não consigam garantir os componentes essenciais para a sua operação.
O peso da inteligência artificial e a mudança de hábitos
Durante a conversa, que foi traduzida e corroborada por fontes ligadas à imprensa norte-americana, Khein-Seng clarificou que o fecho de empresas e a descontinuação de produtos são possibilidades muito reais se o fornecimento de memória falhar. Como consequência direta, o líder da Phison antevê uma mudança significativa no comportamento dos consumidores: nos próximos anos, as pessoas deverão optar cada vez mais por reparar os seus equipamentos avariados, em vez de os deitarem para o lixo.
A raiz deste problema global está fortemente ligada ao crescimento explosivo dos centros de dados focados em inteligência artificial, que estão a absorver a esmagadora maioria da oferta mundial de memória. Este desequilíbrio sem precedentes entre a procura e a oferta fez com que os preços da RAM triplicassem, quadruplicassem ou chegassem mesmo a sextuplicar nos últimos meses.
Gigantes tecnológicas também sofrem com a crise
O impacto desta falta de componentes sente-se em toda a indústria tecnológica, afetando até as maiores marcas mundiais. A Nvidia, por exemplo, poderá falhar o lançamento de uma nova placa gráfica para videojogos pela primeira vez em 30 anos devido a esta situação. Da mesma forma, até a Apple poderá enfrentar dificuldades inéditas para assegurar a quantidade necessária de RAM, bem como os chips de memória vitais para o armazenamento SSD dos seus equipamentos.
O mercado de DRAM é atualmente dominado por apenas três empresas, que controlam cerca de 93 por cento de toda a produção global. Embora estas fabricantes estejam a construir novas infraestruturas, a expansão está a ser feita de forma muito cautelosa. As marcas decidiram dar prioridade às margens de lucro, evitando expandir a produção de forma demasiado rápida para não correrem o risco de excesso de oferta e eventuais perdas financeiras no futuro, o que significa que os efeitos desta crise de componentes poderão arrastar-se em tudo o que envolva computação ao longo dos próximos anos.












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