
A publicidade já é uma constante no nosso dia a dia digital, mas a Hisense decidiu levar o conceito um pouco mais longe. Relatos recentes indicam que os utilizadores de televisores da marca estão a ser forçados a visualizar anúncios apenas por ligarem o equipamento. Ao tentar aceder à emissão normal de televisão (TDT), os proprietários destas Smart TVs deparam-se agora com anúncios publicitários de alguns segundos que são impossíveis de saltar.
O mais curioso é que esta imposição está a acontecer mesmo para quem desativou expressamente os consentimentos de partilha de dados nas definições do sistema. A medida afeta não só os ecrãs com o logótipo da Hisense, mas também outros modelos de marcas que pertencem à mesma empresa matriz, como é o caso da Toshiba e da JVC.
A parceria que transforma o ecrã num painel de anúncios
O segredo por trás desta nova estratégia reside no sistema operativo VIDAA, que equipa os televisores modernos da fabricante. A Hisense associou-se à Nexxen, uma empresa especializada em marketing digital, para implementar um sistema de publicidade programática. Esta aliança permite leiloar e apresentar anúncios nativos em tempo real diretamente na janela inicial da interface.
O objetivo é simples: gerar uma nova fonte de rendimentos adicionais e passivos. Embora os televisores da marca sejam conhecidos pelos seus preços competitivos no mercado, o custo real parece agora ser cobrado através da atenção do utilizador. Existe também o receio de que esta prática se expanda a outras áreas do sistema, forçando a visualização de campanhas antes de abrir aplicações de streaming como a Netflix ou o YouTube.
Recolha de informações para anúncios à medida
Para garantir que a publicidade apresentada tem o máximo impacto, a fabricante recolhe um volume considerável de detalhes sobre os hábitos de quem está no sofá. Segundo a Banda Ancha, a política de dados do próprio sistema VIDAA lista a recolha e armazenamento remoto de várias categorias de informação.
Entre os dados guardados em servidores da empresa estão os identificadores do equipamento e do cliente, localização e região, endereços IP, horários de utilização e uma telemetria detalhada que inclui as aplicações abertas e a navegação web. Mais importante ainda, o sistema regista de forma explícita o histórico de visualizações.
Com este perfil incrivelmente detalhado, a Hisense consegue cobrar mais caro pelos espaços publicitários, entregando aos anunciantes um público-alvo altamente segmentado. Esta abordagem não é totalmente inédita na indústria tecnológica, sendo semelhante à estratégia da Amazon com os seus tablets, que oferecem um preço de aquisição inferior em troca da aceitação de campanhas publicitárias. Fica a dúvida se outros fabricantes de televisões económicas irão seguir a mesma tendência no futuro.












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