
Durante décadas, o mercado de processadores para servidores e centros de dados foi dominado de forma quase isolada pela Intel. No entanto, o cenário mudou nos últimos anos com o crescimento sustentado da AMD, que conquistou uma quota de mercado substancial graças à família de processadores EPYC, oferecendo um número superior de núcleos e elevado desempenho a preços competitivos. Para contrariar esta tendência e recuperar o seu espaço, a fabricante decidiu aproveitar o Mobile World Congress (MWC) em Barcelona para mostrar a sua nova proposta de peso: o processador Xeon 6+ Clearwater Forest.
A aposta exclusiva em núcleos eficientes
Ao longo do tempo, a empresa habituou a indústria a chips focados em altas frequências, mas a estratégia começou a mudar quando introduziu a sua arquitetura híbrida. A grande novidade do Clearwater Forest é que este abandona por completo os habituais núcleos de desempenho para se focar inteiramente em núcleos eficientes, também conhecidos como E-Cores.
Após alguns atrasos que atiraram o equipamento para 2026, o processador apresenta-se agora na sua versão final, composto por um total de 12 chiplets fabricados com recurso ao nó 18A da marca. Cada um destes módulos inclui 24 núcleos com arquitetura Darkmont, o que resulta num impressionante total de 288 E-Cores num único encaixe. Para infraestruturas de dados que precisem ainda de mais potência, existirão sistemas com suporte para configurações de duplo socket, permitindo que a máquina alcance uns incríveis 576 núcleos a trabalhar em simultâneo.
Estrutura de memória e foco no mercado empresarial
No que diz respeito aos detalhes mais técnicos, cada núcleo eficiente está equipado com 64 KB de cache de instruções. O design do equipamento agrupa os núcleos em clusters de quatro, onde cada um destes pequenos grupos partilha 4 MB de cache L2. Se somarmos a capacidade de todos os elementos integrados, o processador atinge uns massivos 1.152 MB de cache L3. Apesar de representar uma mudança drástica na forma como é estruturado, o componente foi desenhado para manter a compatibilidade com as plataformas atuais, oferecendo suporte para 12 canais de memória, 96 linhas PCIe 5.0 e 64 linhas CXL 2.0.
De acordo com os detalhes partilhados pela TechPowerUp, a utilização exclusiva de núcleos eficientes tem um propósito muito claro: garantir um desempenho multitarefa de excelência mantendo o consumo energético mais contido do que os seus rivais. O público-alvo natural desta solução são os operadores de rede, nomeadamente para infraestruturas RAN, bem como os fornecedores de serviços na nuvem, onde a capacidade de processar centenas de máquinas virtuais ao mesmo tempo é fundamental para o sucesso do negócio.












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