
Os condutores que dependem do gasóleo podem ter uma surpresa muito desagradável na próxima ida às bombas. De acordo com as estimativas mais recentes do setor, o preço deste combustível pode sofrer um aumento histórico de 15 a 20 cêntimos por litro já na próxima semana. A gasolina também não escapa, embora o agravamento esperado seja consideravelmente mais contido, rondando os cinco cêntimos por litro.
O impacto do conflito no Médio Oriente
Esta subida abrupta surge como uma consequência direta do recente ataque ao Irão e do encerramento do Estreito de Ormuz. Este escalar da guerra paralisou de forma severa as exportações de petróleo e gás provenientes do Médio Oriente. A confirmar-se esta previsão, estaremos perante o maior aumento semanal de preços de que há memória nos últimos anos, superando largamente a subida de 14 cêntimos registada em março de 2022, na sequência da invasão da Ucrânia pela Rússia.
Segundo a análise partilhada por Ricardo Marques, especialista em mercados energéticos da IMF, à Rádio Observador, o gasóleo refinado está a encarecer a um ritmo muito superior ao do próprio petróleo Brent, que serve de referência no continente europeu. Numa janela de apenas dois dias de transações, o valor do barril de gasóleo disparou dos 102 para os 134 dólares, o que representa um aumento na ordem dos 30%. O impacto é ainda ampliado pela atual desvalorização do euro face ao dólar norte-americano.
A Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC) já tinha alertado para uma subida de cerca de 12 cêntimos, mas essa estimativa baseava-se exclusivamente nas cotações de segunda-feira. Com a oficialização do fecho do Estreito de Ormuz no final desse mesmo dia, a tendência de alta intensificou-se de forma dramática.

A corrida aos stocks e o cenário europeu
A Europa encontra-se numa posição particularmente vulnerável por ser tradicionalmente deficitária em gasóleo. Após o corte nas importações da Rússia em 2022, altura em que empresas portuguesas como a Galp suspenderam a compra de gasóleo e de gasóleo de vácuo àquele país, o mercado europeu virou-se para o Médio Oriente como alternativa primária. Com a principal rota marítima agora bloqueada e o funcionamento condicionado de várias refinarias na região, esse fornecimento alternativo encontra-se comprometido.
Para além da escassez real, o preço final está a ser pressionado por alguma especulação entre operadores e pela corrida desenfreada de grandes clientes que tentam acumular stocks deste combustível, vital para o transporte de mercadorias. A única ressalva que poderá estabilizar o mercado a médio prazo é a atual disrupção no setor da aviação. A queda na procura por combustível de aviões poderá aliviar parte da pressão sobre as refinarias, mas não produzirá efeitos de alívio imediatos nos preços, tal como foi detalhado pelo Observador. A gasolina continua a ser menos afetada por toda esta crise logística, beneficiando de uma produção menos concentrada a nível geográfico e de um leque mais vasto de alternativas de importação.












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