
A relação entre a NVIDIA e os principais laboratórios de Inteligência Artificial está a entrar numa nova fase. Jensen Huang, diretor executivo da empresa, deixou a indicação de que a tecnológica vai reduzir a sua participação direta no capital da OpenAI e da Anthropic. A decisão surge num momento em que estas empresas se preparam para a entrada na bolsa de valores.
O movimento estratégico demonstra uma mudança no equilíbrio do setor. A empresa considera que já não necessita de manter uma participação financeira para colher os frutos do crescimento destas organizações, uma vez que o grande lucro reside na venda da infraestrutura e do hardware que sustenta todo este ecossistema.
O negócio está na infraestrutura e não nas ações
Durante uma conferência com investidores, Huang explicou que a empresa já injetou montantes avultados na área da Inteligência Artificial. Os valores englobam cerca de 30 mil milhões de dólares (aproximadamente 28,5 mil milhões de euros) na OpenAI e 10 mil milhões de dólares (cerca de 9,5 mil milhões de euros) na Anthropic. No entanto, estas poderão ser as últimas grandes rondas de financiamento direto.
Quando as empresas se preparam para uma oferta pública inicial, as vantagens estratégicas do investimento inicial desaparecem. O foco passa a ser a venda de equipamentos. A dependência de componentes como as placas gráficas para treinar e executar modelos complexos garante que as receitas continuarão a fluir, independentemente de quem lidera a corrida dos laboratórios.
O problema do consumo energético e a cimeira na Casa Branca
Para além do hardware, existe um plano ambicioso que chegou a ser discutido nos bastidores do setor. Tratava-se de um potencial acordo de 100 mil milhões de dólares (cerca de 95 mil milhões de euros) para financiar infraestruturas colossais dedicadas à Inteligência Artificial, capazes de consumir até 10 GW de potência elétrica. Este valor equivale ao consumo de várias barragens hidroelétricas de grande dimensão.
Contudo, a questão energética tornou-se um ponto de atrito. Os cidadãos norte-americanos estão a sentir o impacto nas faturas da eletricidade devido à elevada procura destes centros de dados. Para debater esta insustentabilidade e o compromisso de autoabastecimento, vai decorrer uma cimeira na Casa Branca, segundo as informações avançadas pela Reuters.
A posição da fabricante de chips mantém-se confortável, beneficiando da expansão geral do mercado, contando com a concorrência de marcas como a AMD e a Intel na oferta de poder de processamento.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!