
A relação próxima entre a Microsoft e a OpenAI tem sido um dos motores mais visíveis da atual revolução tecnológica, mas os ventos parecem estar a mudar em Redmond. Numa declaração que marca uma viragem significativa, Mustafa Suleyman, o chefe de IA da Microsoft, afirmou recentemente que a empresa está a perseguir uma "verdadeira auto-suficiência em IA".
O objetivo é claro: reduzir a dependência de terceiros através do desenvolvimento dos seus próprios modelos de fronteira. Esta nova postura surge num contexto de renegociação da parceria, detalhado numa entrevista concedida ao Financial Times, onde Suleyman explicou que, sendo esta "a tecnologia mais importante do nosso tempo", a empresa precisa de garantir que consegue caminhar pelas suas próprias pernas.
Um acordo renovado e a diversificação de riscos
Esta procura por independência enquadra-se no acordo revisto entre as duas empresas em outubro de 2025. Embora a Microsoft mantenha a sua participação de 27% na OpenAI e garanta o acesso à propriedade intelectual e modelos da criadora do ChatGPT até 2032, as novas cláusulas permitem à gigante tecnológica desenvolver os seus próprios modelos de topo e até perseguir a sua própria Inteligência Artificial Geral (AGI).
Atualmente, produtos essenciais como o Copilot e o Office dependem fortemente dos modelos da OpenAI. No entanto, confiar num único fornecedor acarreta riscos operacionais significativos — se a OpenAI enfrentar problemas, os produtos da Microsoft sofrem por tabela.
Para mitigar este cenário, a estratégia passa agora por uma diversificação agressiva. Além de desenvolver a linha de modelos internos "MAI", a plataforma Azure já acolhe modelos de concorrentes como a Anthropic (Claude), a Meta (Llama) e a Mistral. Esta abordagem não só oferece mais flexibilidade estratégica, como também promete uma maior eficiência financeira a longo prazo.
Infraestrutura própria: Maia 200 e Fairwater
Para sustentar esta ambição de "fazer tudo em casa", a Microsoft está a investir pesadamente na sua infraestrutura física. A empresa não quer apenas o software, quer também o hardware que o faz correr.
Nesse sentido, a empresa já apresentou o seu chip acelerador de IA, o Maia 200, e está a construir a rede Fairwater de centros de dados, que incluirá alguns dos supercomputadores mais potentes do mundo.
A mensagem é clara: embora a parceria com a OpenAI continue a ser central para muitas aplicações, a Microsoft recusa-se a colocar todos os ovos no mesmo cesto. Num mercado onde ninguém consegue prever com exatidão como a linha temporal da IA se vai desenrolar, a gigante de Redmond quer garantir que, independentemente do desfecho, sairá vencedora.










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