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pessoa a olhar para carro

Comprar um veículo novo já é um desafio para muitas carteiras, mas o mercado de usados prepara-se para seguir o mesmo caminho de complexidade. A União Europeia avança este ano com a nova regulamentação sobre veículos em fim de vida útil, uma medida desenhada para fortalecer a economia circular e melhorar a reciclagem, mas que promete dores de cabeça para quem pretende transacionar o seu automóvel. Os detalhes desta legislação, disponíveis no portal EUR-Lex e analisados pela publicação alemã Focus, revelam que a transição para os carros elétricos traz consigo burocracias apertadas que vão afetar diretamente as vendas de segunda mão.

O polémico Artigo 25 e a prova de vida do automóvel

O cerne da questão reside no Artigo 25 do projeto de lei. A partir de agora, qualquer pessoa que queira vender um veículo usado tem de provar documentalmente que o mesmo não é considerado sucata ou em fim de vida útil. Esta regra aplica-se de igual forma a transações dentro do mercado interno e a exportações.

Para conseguires provar que o automóvel ainda tem plenas condições para circular, a lei exige uma de duas coisas: a apresentação de um certificado de inspeção periódica obrigatória (IPO) dentro da validade, ou a submissão de um relatório pericial independente. Sem um destes papéis, o veículo fica legalmente impedido de ser registado, mudado de nome ou exportado.

Preços a subir e o fim das pechinchas

É precisamente na exigência do relatório pericial que o cenário se complica para os consumidores. Uma avaliação técnica deste calibre pode custar milhares de euros. Se estivermos a falar de um carro mais antigo e de baixo valor comercial, o custo da peritagem pode facilmente ultrapassar o valor do próprio veículo, tornando a venda completamente inviável na prática.

Thomas Peckruhn, presidente da associação automóvel alemã ZDK, já deixou o alerta sobre as consequências desta medida. Se os automóveis que ainda podem ser recuperados e mantidos em segurança forem atirados para o abate de forma prematura, a oferta global de usados vai encolher drasticamente. O resultado direto será um aumento significativo nos preços, varrendo do mapa os negócios mais acessíveis e prejudicando os condutores que não têm capacidade financeira para comprar modelos mais recentes. A lei prevê uma exceção para vendas entre particulares num círculo restrito de pessoas, mas o alcance real desta benesse ainda levanta muitas dúvidas.

Uma lei com impacto no dia a dia dos condutores

Atualmente, a regulamentação foca-se nos veículos ligeiros de passageiros com um peso bruto até 3,5 toneladas. Contudo, as intenções de Bruxelas passam por um alargamento progressivo destas exigências a carrinhas comerciais, autocarros e motociclos, o que ditará uma mudança estrutural em todo o ecossistema motorizado.

Esta abordagem cria um paradoxo evidente. Retirar de circulação automóveis que estão perfeitamente operacionais, ou que apenas requerem manutenção normal, não só asfixia a carteira dos cidadãos, como colide com os próprios princípios de economia sustentável que a Europa diz defender. O ato de vender o teu carro antigo deixou de ser um processo simples para se transformar numa verdadeira corrida de obstáculos burocráticos.

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