
Sundar Pichai, CEO da Google, revelou que o motor de busca vai evoluir para um gestor de agentes, focado em concluir tarefas complexas em vez de apenas apresentar listas de resultados. Numa conversa de uma hora com Patrick Collison, CEO da Stripe, partilhada através do vídeo da entrevista, o executivo traçou um calendário claro para esta transição e detalhou os obstáculos que a gigante tecnológica ainda precisa de ultrapassar.
O ponto de viragem marcado para 2027
A linguagem de Pichai sobre o futuro da pesquisa tornou-se cada vez mais específica ao longo dos últimos meses. Depois de referir em dezembro de 2024 que a pesquisa iria mudar profundamente em 2025 e de relatar um crescimento de receitas para 63 mil milhões de dólares no último trimestre de 2025, o CEO aponta agora para 2027 como um ponto de inflexão crucial. Segundo o executivo, será neste ano que os processos empresariais e os fluxos de trabalho não associados à engenharia vão sofrer alterações profundas com a adoção de agentes autónomos.
Internamente, a empresa já utiliza uma ferramenta apelidada de Antigravity. Pichai explicou que recorre a este assistente para analisar rapidamente o impacto de novos lançamentos, pedindo resumos sobre os pontos positivos e negativos discutidos pelo público, provando que o conceito de gestor de agentes já está em funcionamento nos bastidores e altera a forma como a própria gestão de topo trabalha.
O desfasamento da inteligência artificial nas empresas
Durante a conversa, Patrick Collison destacou o conceito de desfasamento da inteligência artificial, que representa a distância entre as capacidades atuais dos modelos e a sua real adoção pelas organizações. Foram identificadas quatro barreiras principais que atrasam este processo. A primeira é a falta de prática dos utilizadores na criação de comandos eficazes. A segunda envolve o contexto específico de cada empresa, essencial para que a ferramenta compreenda as normas e ferramentas internas.
A terceira barreira diz respeito ao acesso aos dados, uma vez que um agente não consegue fornecer respostas precisas se estiver bloqueado por permissões de segurança ou falta de integração. Por fim, a definição de funções surge como o quarto obstáculo, dado que as equipas e os fluxos de aprovação atuais foram desenhados para uma realidade sem assistentes virtuais. Pichai concordou com esta avaliação, confirmando que a gestão de acessos e identidades é um dos problemas mais complexos que a sua própria equipa tenta resolver para escalar a tecnologia.
Limitações físicas e o futuro da otimização
Para sustentar esta visão, os investimentos em infraestrutura vão disparar. Pichai confirmou que as despesas de capital para 2026 vão situar-se entre os 175 e os 185 mil milhões de dólares, o que equivale a cerca de 160 a 170 mil milhões de euros. No entanto, o avanço esbarra em limitações físicas tangíveis, como a capacidade de produção de wafers, o fornecimento crítico de memória, a burocracia no licenciamento de novos centros de dados e a constante pressão sobre a cadeia de abastecimento global.
Para os profissionais do setor de otimização, esta transição para um modelo baseado em agentes exige uma mudança radical de estratégia. Em vez de tentarem posicionar páginas para cliques humanos, as empresas terão de estruturar os seus dados comerciais de forma rigorosa para que as máquinas os possam ler e utilizar diretamente na conclusão de tarefas dos utilizadores. Pichai mantém que este novo modelo não prejudica o tráfego externo, comparando a situação ao sucesso contínuo do YouTube, que continua a prosperar apesar da ascensão de plataformas concorrentes mais recentes. Mais detalhes sobre a implementação prática destas novidades deverão ser revelados na conferência anual I/O 2026, agendada para os dias 19 e 20 de maio.












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