
A Google alertou hoje que a recente proposta da Comissão Europeia, focada em obrigar a partilha de dados do seu motor de pesquisa com empresas concorrentes e plataformas de inteligência artificial, representa uma ameaça direta e grave à privacidade dos utilizadores. O leitor comum corre o risco de ver os seus dados mais confidenciais transferidos para terceiros caso esta medida avance.
A decisão de Bruxelas surge com o objetivo de equilibrar o espaço digital, procurando permitir que outros motores de busca otimizem os seus próprios serviços. Para tal, a União Europeia quer que a gigante tecnológica ceda o acesso a métricas essenciais e detalhadas, como as classificações, visualizações, cliques e as consultas diárias realizadas pelas pessoas.
A defesa da privacidade face às novas imposições
Clare Kelly, consultora sénior em direito da concorrência na empresa, frisou de forma categórica que centenas de milhões de cidadãos europeus confiam informações extremamente sensíveis à plataforma de pesquisa. Estes dados diários abrangem detalhes íntimos sobre saúde, finanças e questões familiares. A responsável sublinha que a obrigação de ceder este manancial de dados a outras entidades vem acompanhada de salvaguardas que a empresa classifica como sendo perigosamente ineficazes.
A tecnológica assegura que se vai defender de forma contundente contra aquilo que considera ser um autêntico excesso por parte dos reguladores europeus. Para a empresa, esta exigência vai muito além do propósito original da legislação e compromete seriamente a segurança de quem utiliza os seus serviços de forma regular.
O peso da Lei dos Mercados Digitais nas gigantes tecnológicas
A nova diretriz insere-se na abrangente Lei dos Mercados Digitais (DMA), implementada desde novembro de 2022 no espaço da União Europeia. Este regulamento foca-se nas grandes empresas designadas como intermediárias de conteúdo, entidades que controlam vastos ecossistemas digitais e que geram receitas anuais na Europa superiores a 7,5 mil milhões de euros, contando com mais de 45 milhões de utilizadores ativos por mês.
O plano europeu define já os parâmetros rigorosos para esta futura partilha de dados, estabelecendo as regras desde a frequência de acesso até aos cruciais métodos de anonimização, sem esquecer os critérios para os beneficiários e os preços considerados equitativos. A Comissão Europeia vai agora iniciar uma fase de auscultação, onde ouvirá o parecer de especialistas, dos rivais de mercado e da própria empresa até ao dia 1 de maio. A adoção de uma decisão final e legalmente vinculativa está prevista para acontecer até 27 de julho de 2026.
Para além da líder mundial das pesquisas, importa notar que esta legislação altamente restritiva afeta outras empresas de enorme dimensão no panorama tecnológico global, aplicando regras igualmente severas a nomes de peso como a Amazon, a Apple, a Meta e a Microsoft.












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